Igreja
da Fazenda de São Joaquim
da Grama: situada em
Rio Claro - RJ. Berço
dos Breves, célula-mater
de inúmeras outras propriedades,
mandada construir por Joaquim
Breves, a monumental capela
serviu de repouso para seu criador
e família por algum tempo.
Com o caso Danna de Tefé,
que a polícia local suspeitou
durante o inquérito que
houvesse sido enterrada ali,
pois foram encontrados túmulos
revirados, o lugar ficou maldito.
Os corpos foram transferidos
para o cemitério de Barra
do Piraí, por parentes,
para que não fossem violados.
A igrejinha (de grandes proporções),
situada no altiplano, domina
a região de São
Joaquim da Grama, e está
toda destruída. O teto
está desabando, a escada
em caracol que levava até
o sinos (roubados) caída
ao chão, os altares apodrecendo
comidos pelos cupins. Ainda
se vê parte da pintura
do teto, e do mármore
importado no chão. Bois
e vacas usam-na hoje como moradia
. Uma vergonha. Da casa-grande
de São Joaquim, resta
1/3 da fachada ainda conservada.
O desinteresse, demonstrado
pelas autoridades (IPHAN, Prefeituras,
e outros órgãos),
é evidente. Cultura e
preservação nunca
foram o forte das autoridades.
O casarão da
Fazenda do Pinheiro:
Situa-se o palacete em Pinheiral
- RJ, próximo a Volta
Redonda. Em ruínas a
casa do Comendador José
de Souza Breves, que já
foi Posto Zootécnico
Federal, visitado pelos reis
da Bélgica, e que funciona
hoje o Colégio Agrícola
Nilo Peçanha. A casa-grande
que foi do Comendador José
de Souza Breves (irmão
de Joaquim), foi doada em testamento
(não teve filhos) para
que ali se estabelecesse uma
entidade de ensino, com prêmios
anuais e verba destinada ao
seu funcionamento. A propriedade
passou ao Governo, que ali se
fixou.
Hoje, completamente destruída,
com o madeiramento de pinho-de-riga,
tetos em estuque pintados a
trompe- l'oeil, portais ricamente
decorados, serve de abrigo a
mendigos, morcegos e outras
criaturas. Estive lá
e fiquei horrorizado. Aqueles
enormes salões incendiados
com a vegetação
nascendo entre as táboas.
Ora, o Colégio Agrícola
é uma extensão
da Universidade Federal Fluminense.
Por que a Universidade não
restaura o casarão? Poderia
servir à comunidade local
para eventos (teatro, museu,
ou mesmo extensão do
próprio colégio).
Foi uma das maiores fazendas
de café da antiga província,
com toda a riqueza de história
que bem conhecemos (foi palco
de escravaria numerosa, banda
de música, hospital,
armazéns, jardins, bailes
e festas, reuniões políticas,etc).
Visitada por ilustres em 1870
como Cantagalli - embaixador
da Itália, Ternaux-Compans
(legação francesa),
e o português Augusto
Emilio Zaluar, que descreve
em suas cartas, a magnífica
residência.
Em visita ao local em 1993,
fiquei chocado com o estado
do casarão, que tinha
sido vítima de incêndio
criminoso. Soube que vence em
pouco tempo o contrato de comodato
entre o Ministério da
Agricultura e a UFF - Universidade
Federal Fluminense, que mantém
o colégio. O que será
feito daquelas terras? O casarão
continuará dominado pelo
mato (árvores mesmo)?
Os projetos de cunicultura e
suinocultura, que já
foram transferidos para outro
local, devido à insegurança
dos galpões, serão
continuados? O ensino agrícola,
tão importante para o
País. Como fica?
O
Comendador José de Souza
Breves, meu tetra-avô,
ficaria perplexo. Deixou em
seu testamento, terras, a casa-grande
e dinheiro para que se criasse
uma instituição
de ensino. O governo lamentavelmente,
administrou mal. Hoje só
temos destruição
e caos.
São
João Marcos:
A bela cidade colonial foi demolida
pela Light que inundou suas
ruas criando o lago de Ribeirão
das Lages. Despareceram a fazenda
de Santo Antônio da Olaria,
cópia do Pallazo Brescia,
construída por Joaquim
Breves para sua moradia. Mármores
raros nos pisos em mosaico ainda
são vistos quando as
águas baixam. Outra fazenda,
a Bela Vista, também
demolida. E a ponte Bela. Magnífica
esta ponte em arco e pedra de
cantaria que podemos ver e passar,
quando as águas descem.
Difícil hoje é
chegar ao local. O mato tomou
conta de tudo. Na entrada vê-se
uma placa - "São
João Marcos, tombado
pelo Patrimônio Histórico".
Parece piada de mau-gosto. A
Light que nos anos 30/40 desapropriou
terras, desalojou populações
inteiras, poderia investir no
turismo da região e resgatar
um pouco da história
desse rincão fluminense.
Também foi demolida,
ou melhor, dinamitada a bela
matriz de São João
Marcos. Alegavam os engenheiros
estrangeiros que a água
cobriria suas torres. Triste
projeção. A água
não chega ao primeiro
degrau da antiga matriz.
Ressalto
algumas atitudes isoladas de
preservação:
§
empresários que compraram
algumas fazendas e restauraram;
§
a Fundação Mario
Peixoto Breves em Mangaratiba,
que preserva o antigo trapiche
dos escravos, e as ruínas
do teatro;
§
a estrada Mangaratiba-Rio Claro,
primeira estrada de rodagem
do Brasil, inicialmente construida
por Joaquim Breves para desaguar
sua enorme produção
de café. Com bebedouros,
muros de contenção
e rancho em pedra para descanso
de animais e viajantes;
§
a recuperação
dos retratos pintados por Claude
Barandier, Chevrell entre outros,
do Comendador Joaquim José
de Souza Breves, sua mulher
Maria Izabel Breves e outros
parentes. Por iniciativa minha,
e juntamente com o Embaixador
João Hermes de Araujo,
pesquisador da História
de nosso Estado, o IHGB - Instituto
Histórico Geográfico
Brasileiro, adquiriu as telas
que hoje se encontram em restauração;
§
a preservação
da Restinga e Ilha da Marambaia,
ocupadas pelas Forças
Armadas, que impedem a devastação.
Bem verdade, que resta pouco
da casa-grande e dos armazéns
dos Breves, antigos proprietários
daquela faixa de mar, que lhes
servia de entreposto entre a
África e Brasil, no comércio
dos escravos.
§
as Academias de História
das cidades que passaram pelo
ciclo do café, como por
exemplo Resende, Barra Mansa,
etc.
§
o trabalho árduo de historiadores
como Celina Whately (Resende),
Mirydan Britto (Vassouras),
Pe. Reynato Breves (Barra do
Piraí), e dos jornalistas
Elio Gaspari e Boechat, que
publicam e divulgam nosso passado.