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As
preocupações - Questionamento dos cidadãos |
Prezados
Membros da Câmara Técnica de Planejamento do Comitê
das Bacias Hidrográficas do rio Paraíba do Sul, São
Paulo.
Prezados Membros do Escritório de Apoio Técnico do CEIVAP.
Diante da concreta expansão da monocultura do eucalipto no Vale
do Paraíba, que visa atender a demanda do setor de papel e celulose,
em especial das plantas industriais localizadas em Pindamonhangaba e Jacareí,
e considerando que se trata de atividade reconhecidamente controversa
no que diz respeito aos riscos ambientais potenciais sobre a água,
os solos, e a biodiversidade;
Diante da crescente escassez de água na bacia do rio Paraíba
do Sul e das possíveis implicações que extensas plantações
de eucalipto possam ter sobre a disponibilidade de água superficiais
e sobre a recarga dos aqüíferos;
Considerando o histórico de conflitos e impactos negativos já
mensurados, tanto ambientais quanto sociais, provocados por atividade
semelhante, no estado do Espírito Santo e no sul da Bahia, a cargo
da Aracruz Celulose;
Diante da perspectiva de mudança no padrão de uso e ocupação
do solo em escala regional, e em face do desconhecimento da população
em geral, e mesmo de setores especializados, tanto públicos quanto
privados, sobre o plano de expansão da atividade de monocultura
de eucalipto no Vale do Paraíba do Sul;
Diante da demanda conhecida de algumas empresas do setor de papel e celulose,
em especial a VCP, que ultrapassam os 80 mil ha/ano de eucalipto! Diante
da perspectiva dos plantios comerciais de eucalipto repetirem mais um
ciclo econômico de produção voltado para a exportação,
com a exploração intensiva dos recursos naturais do Vale
do Paraíba, a exemplo do que ocorreu com o ciclo da cana-de-açúcar
e do café, em tempos pretéritos, e cujas conseqüências
podem ser traduzidas em um quadro de degradação ambiental
aliada à falta de
alternativa e oportunidades para as populações;
Diante da temática atual da cidadania empresarial e da responsabilidade
social, a relação das indústrias com as comunidades
vizinhas (e serão muitos os vizinhos) demandam transparência,
para que todos possam se situar dentro de uma questão que pode
definir o destino de mais de uma geração;
Diante da falta de sustentabilidade de atividades voltadas para exportação,
onde os custos ambientais e sociais dos países produtores não
são contabilizados no preço de mercado final do produto;
Considerando que em matéria ambiental o princípio da precaução
deve ser considerado como um quesito preliminar da sustentabilidade, o
que implica considerar que as intervenções devem ser promovidas
a partir da definição prévia de escalas e formas
sustentáveis de uso e apropriação de bens e serviços
ambientais;
Diante do que foi chamado de passivo social da atividade de produção
de papel e celulose na Conferência Nacional do Meio Ambiente em
Brasília, no mês de novembro de 2003;
Fazemos as seguintes colocações a essa Câmara Técnica:
Como cidadãos, pediríamos um pronunciamento público
das indústrias envolvidas, para que detalhem seus planos, demonstrando
claramente os limites físicos destes empreendimentos e qual o comprometimento
social que está sendo delineado para com as comunidades afetadas,
uma vez que o benefício econômico máximo desta atividade
será dividido entre os grupos produtores e os países importadores;
Como técnicos, gostaríamos de ver respondidas as seguintes
perguntas: qual será a paisagem predominante no vale do Paraíba
em 2030?
como a expansão desta atividade se confronta com o Zoneamento Ecológico-Econômico
do Estado de São Paulo e com o Zoneamento do Vale do Paraíba?
como esta atividade se insere dentro de duas APA’s Federais –
APA da Serra da Mantiqueira e APA dos Mananciais do Rio Paraíba
do Sul? quais os tratamentos que estão sendo dados, nesses plantios,
para as áreas de APP, incluídos os topos de morro?
qual o compromisso dos empreendedores com a restauração
da Reserva Legal de 20% nas propriedades; haverá impactos sobre
a disponibilidade de água nos reservatórios? quais as quantidades
e qual a formulação dos herbicidas e inseticidas utilizados
no manejo desses plantios? quanto de resíduos de fertilizantes
químicos e pesticidas teremos a mais nas águas e nos sedimentos,
nos solos, na biota e nos seres humanos? quanto será o incremento
na erosão por conta do preparo para o plantio, construção
de estradas e acessos e posteriormente, com o corte raso e a retirada
dos eucaliptais? quais os impactos sobre as bordas dos fragmentos florestais,
vizinhos aos eucaliptais?
quais as perdas de nutrientes dos solos e quais os incrementos de nutrientes
nas águas? quais os impactos sobre a recarga dos aqüíferos
superficiais e subterrâneos? qual o impacto do transporte desta
matéria-prima dos plantios até as indústrias? quais
os critérios para seleção das áreas que estão
sendo adquiridas e arrendadas? quais os impactos sobre as atividades econômicas
tradicionais do Vale?
o que o setor rural organizado (sindicatos rurais patronais e de trabalhadores)
tem a dizer sobre a questão? quais os impactos sobre o Turismo
Rural? qual o impacto sobre programas governamentais que estimulam a conservação
dos solos e a sustentabilidade agropecuária de pequenos produtores
rurais? (Programa de Microbacias da Secretaria de Estado da Agricultura,
por exemplo) quais os impactos sobre a atividade leiteira? Quando o Vale
não for mais produtor de leite, haverá um incremento no
preço do produto ao consumidor da região?
aumentará o nível de desemprego na área rural? O
êxodo rural será intensificado em função da
atividade? Aumentarão os cinturões de pobreza ao redor de
médias e grandes cidades do Vale e da capital? quais os ganhos
e benefícios efetivos para os municípios onde se localizam
os plantios?
E finalmente, dependendo da extensão do empreendimento, e como
recomenda a legislação ambiental, que seja feito um Estudo
de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) do projeto de expansão como um
todo, onde os impactos sociais, econômicos e ambientais, positivos
e negativos, sejam criteriosamente mensurados para que toda a sociedade
envolvida possa discutir, compreender e opinar sobre o empreendimento.
Fevereiro de 2004.
Fonte: http://www.serrafina.org/index.cfm?fuseaction=conteudo&IDassunto=24&IDsubAssunto=29
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