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Denúncias
- Com a Boca no Trombone |
O
eucalipto maldito e a cidadania
“A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica,
a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são
patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á,
na forma da lei.
Ricardo Faria (*)
Dentro de condições que assegurem a preservação
do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.”
Resta saber porque os nossos agentes públicos não cumprem
o art. 225 da Constituição Federal
A natureza valeparaibana que conseguiu sobreviver às monoculturas
do café, da cana e ao gado sucumbe aos eucaliptais invasores da
Serra da Mantiqueira à Serra do Mar. As cidades mortas de Monteiro
Lobato, se transformam em desertos verdes de homens e de idéias,
repletos de aves de rapina espreitando a morte dos miseráveis para
roubar-lhes os últimos despojos. O poema de Ditão Virgílio,
O saci e o eucalipto, já diz tudo.
Os plantadores de eucalipto podem tudo, compram todos e riem da Justiça.
Amestraram a mídia, estupram diariamente a consciência das
pessoas. Estão transformando o Vale do Paraíba num enorme
deserto verde com a conivência criminosa de prefeitos, vereadores,
deputados e até do governador do Estado, José Serra e do
próprio presidente da república, Luiz Inácio Lula
da Silva. Será que os nossos juízes e promotores estão
acoelhados? É hora de chamar uma Audiência Pública
para que se possa entender porque os facínoras que cometem crimes
ambientais continuam impunes.
Os plantadores de eucalipto são terroristas muito piores do que
os homens bombas. As monoculturas matam silenciosamente as pessoas, a
flora e a fauna, deixando para trás a terra seca e arrasada. Não
menos terroristas, alguns de seus parceiros estão sempre prontos
a inundar tudo para a produção de energia elétrica
que irá transformar as árvores em pasta de celulose destinada
à exportação. A China não permite as plantações
de eucalipto nem a fabricação da pasta de celulose. Isso
mesmo, os chineses recebem a pasta, fabricam papel que vendem a preço
de ouro e nós ficamos com toda a poluição.
Por onde andarão os bem remunerados servidores do Instituto Florestal,
da Polícia Ambiental, do DPRN, do Ibama, do Ministério Público
Estadual, do Federal, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, da Estadual
e tantos outros? Será que vão esperar que o último
canário da terra seja aprisionado? A Frente Armada Revolucionária
da Colômbia é financiada pelo narcotráfico. Por aqui
temos a Frente Ampla para Roubar o Contribuinte.
Prefeitos, vereadores, deputados e senadores se elegeram com o dinheiro
das poluidoras Votorantim, Monsanto, Petrobrás e outras degradadoras
que também apóiam financeiramente várias ongs que
se dizem ecologistas num claro desvio conceitual do que seja o movimento
ambientalista, a Ecosolidário é uma delas. A lavagem de
imagem da Petrobrás atinge o próprio INPE que recebe doações
da empresa para fazer estudos do clima.
Foi bom que o professor e o geógrafo Ricardo Ferraz, o engenheiro
Vicente Cioffi, o defensor público Wagner Giron, o professor Marcelo
Toledo, o advogado Denis Ometto tenham estado na Audiência realizada
em São José dos Campos, no dia 22 último, no Auditório
da Faculdade de Odontologia. Eles conhecem bem os danos ambientais causados
pelas plantações de eucalipto. A luta contra os criminosos
que se tornaram ricos e poderosos tornou-se um desafio alucinante. Somos
uma geração pressionada pela violência da corrupção
que governa o país.
Ainda que sejamos uma voz que brada no deserto, temos o direito e o dever
de não calar para que a cidadania sobreviva às chantagens
e ameaças. Cansamos dos palavrórios e papelórios,
exigimos a atuação do Ministério Público,
o cumprimento da Lei para colocar na cadeia os agentes públicos
canalhas que permitem a degradação ambiental e os políticos
corruptos que pegaram e pegam dinheiro da Votorantin, da Monsanto e outras
poluidoras. Vamos ver o que acontecerá depois dessa Audiência
Pública.
Em Santa Catarina, o Ibama tardiamente tomou providências contra
as monoculturas de pinus que devastaram a Serra do Mar. Providência
igual tem que ser tomada no Vale do Paraíba em relação
ao eucalipto. As denúncias ao Ibama podem ser feitas pelo telefone:
0800-61.8080.
(*)
Ricardo Faria – ricardo@vejosaojose.com.brFonte: http://www.vejosaojose.com.br/ricfaria.htm
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