Fazenda
Santa Lídia
Na
fazenda Santa Lídia Casa Grande e Senzala
contam História do Vale do Café
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Conhecer
um lugar construído no século XIX
é como viajar por um túnel do tempo.O
cheiro de casa antiga é a primeira sensação
que se tem ao cruzar as enormes portas do casarão
da Fazenda Santa Lídia no Bairro do Itabaquara
na cidade de Piquete. Quadros e antigos objetos,
a maioria do período de ouro do café,
decoram o ambiente da Casa Grande. Na sala principal,
sofás, cristaleiras, mesas e cadeiras de
época compõem o cenário de
antigos saraus. Nas paredes de taipa, muitos quadros,
dentre eles um de Dom Pedro II e outro de uma
baronesa. Num dos cantos da grande sala é
possível conhecer os detalhes de uma curiosa
escrivaninha do período imperial. Em outro,
encontramos uma capela com imagens de santos.
Nos quartos, as camas de madeira espessa, com
cerca de um metro de altura, revelam as características
dos móveis de época.
Entre as peças expostas na propriedade
encontramos também, carros de boi, móveis
rústicos e obras do artista plástico
Luciano de Almeida da cidade de Lorena. Aberta
ao público há quatro meses, a fazenda
revela uma atmosfera onde presente e passado se
encontram.
Há 13 anos a família Marcuchi, de
São Paulo, adquiriu a propriedade e esteve
investindo na recuperação das instalações
dos prédios da antiga Fazenda do Ribeirão
Vermelho, seu primeiro nome. Segundo os proprietários,
a estrutura da Casa Grande estava abalada e havia
muitas infiltrações. A senzala também
estava em situação precária
e exigia reformas. “Para restauração
buscamos materiais originais, procurávamos
comprá-los em fábricas e prédios
da mesma época que iriam ser demolidos
a fim de preservar as características do
local”, diz César Augusto Marcuchi,
um dos proprietários. Ele afirma ainda
“compramos a fazenda de porteira fechada
com tudo que havia dentro”.
Retalhos
da história

Após a aquisição da propriedade
a família Marcuchi pesquisou a história
do lugar e quando chegam visitantes vão
revelando o passado através de cada cômodo
e suas peças. Eles contam que a fazenda
começou a ser construída em 1927
e sua fundação data de 1932.
Já no final do século XIX, pertenceu
a Baronesa de Santa Eulália no período
de ouro do Café no Vale do Paraíba.
Nessa época, a mão-de-obra escrava
era utilizada também na construção.
Dados obtidos pela FCR - Fundação
Christiano Rosa, de Piquete - mostram que cerca
de 100 escravos trabalhavam naquela propriedade
e que pela mão destes ergueu-se a antiga
Matriz de São Miguel em Piquete - localizada
à margem da BR-459. Segundo a FCR os primeiros
registros oficiais sobre a Fazenda são
do ano de 1864.
Na fazenda, revelando os traços e recursos
de construção utilizados na época
do império, estão os prédios
da Casa Grande e da Senzala, muros e a canalização
de um riacho, todos erguidos pelos escravos.
De acordo com Marcuchi, a colheita de café
era armazenada no porão da Casa Grande
para que os donos pudessem vigiá-la. Hoje
esse espaço foi restaurado e serve de hospedaria
para grupos de visitantes.
O aposento dos escravos, transformado em um museu,
também está recheado de peças
antigas, algumas do século XIX e outras
mais recentes. Entre estas se destacam uma mesa
de madeira feita sem pregos, apenas com a moldagem
e encaixe conseguidos com força escrava.
Atrás da senzala um tronco que era usado
para castigar os rebeldes guarda as marcas dos
chicotes. Nas paredes, açoites, armas,
correntes, grilhões, luminárias
e lampiões, compõem esse acervo
que, segundo Marcuchi, tem valor inestimável.
Depois do declínio do café, por
volta da década de 20, a propriedade foi
vendida e transformada em fazenda de gado leiteiro
e assim permaneceu até recentemente.
Marcuchi acredita que todas as gerações
devem ter a oportunidade de conhecer mais de perto
o passado, pois, nos livros a narrativa parece
distante. Para ele, a Fazenda Santa Lídia
é um retalho da história que resistiu
ao tempo, por isso sua família pretende
preservá-la e incentivar o turismo histórico.
Simone
Colombo estudante do 3º ano de Jornalismo
e editora do Jornal Comunicação
da Faculdades Integradas Teresa D´Ávila
de Lorena. E-mail:
simonecls@bol.com.br

Créditos
das fotos: Flávia Gabriela/JC
Para
saber mais:
Tel
(11) 6995.7535 ou (11) 9973.5341
Falar com César ou João Marcuchi
(12)31564227 com Django
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