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 ::: Fazendas Históricasl
 

Fazenda Paraíso

FAZENDA PARAISO, a JÓIA DE RIO DAS FLORES, RJ.

Uma trama familiar no 2o Reinado do Brasil Imperial

Esta fazenda Paraiso, pertencia a João Pedro Maynard, freqüentador da Corte Real Portuguesa e companheiro das farras dos principes Miguel e seu irmão Pedro, futuro Imperador do Brasil e, ambos, futuros reis de Portugal. Domingos Custódio Guimarães, 1o Barão a 6/12/1854 e Visconde de Rio Preto em 1867 ao desfazer a sociedade comercial Mesquita&Guimarães no transporte de carne mineira para abastecer à cidade do Rio de Janeiro e à Corte Imperial, de seu sócio, banqueiro e íntimo de Pedro I, José Francisco de Mesquita (1790-1873), Barão em 1841, Visconde a 2/12/1854, Conde em 1866 e Marquês de Bonfim em 1872, estava riquíssimo e resolveu empregar o seu dinheiro em um negócio que estava começando a chamar a atenção dos empreendedores da época: a cultura cafeeira que dava menos despesa que a cana de açúcar.

O futuro Barão/Visconde do Rio Preto incumbe o seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães, de comprar terras na região fluminense, próximas à Corte. Ele compra em Minas: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante e São Bento e no Rio: a Loanda e Paraiso, que pertenciam a João Pedro Maynard, e mais: Criméia, São Leandro, Sta. Tereza, São Policarpo, Sta. Bárbara, União, Sta. Genoveva, Mundo Novo. Essas 14 fazendas produziam 60.000 arrobas de café por ano, o que daria uma renda anual ao Visconde de US$ 735.000 (considerando-se a saca de 60 kg. sendo vendida a R$ 150,00 e o US$ valendo R$ 3,00), ou seja, uma verdadeira fortuna para o custo de vida da época !!!.

Com a compra da Paraiso, com seus 500 escravos e uma banda de música de 50 figuras, temos o início desta trama familiar que une pessoas e as províncias de Minas e Rio numa teia de parentescos sangüíneos e contra parentescos que vem desde o início do século XIX até os dias de hoje, vamos aos fatos:

1o) Joaquim Custódio Guimarães, comprou a Paraiso por indicação do Capitão Domingos Antonio Ribeiro do Valle que é filho de João Ribeiro do Valle que é irmão de Felisberto Ribeiro do Valle, meu 6o avô, ambos filhos de Antonio Ribeiro do Valle, todos de São João d’El Rei, MG. Esse Joaquim Custódio Guimarães, sobrinho do Visconde, vem a se casar com uma filha de Domingos Antonio Ribeiro do Valle. Temos cá, a união do sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto com o sangue Ribeiro do Valle. Há uma tradição oral em minha família que informa sobre a 2a mulher do Visconde do Rio Preto, Maria das Dores de Carvalho, fal. a 12/1/1873, ser tia de minha avó, mas eu não consegui estabelecer a ligação entre o Carvalho de Maria das Dores, que vem de seu pai Joaquim Inácio de Carvalho, com o meu Carvalho que vem do 1o Barão de Cajurú.

2o) João Gualberto de Carvalho, foi 1o Barão de Cajurú a 30/6/1860 tendo como recomendação, dentre outros, do então, Visconde de Bonfim, José Francisco de Mesquita. O 1o Barão de Cajurú é casado com Ana Inácia, filha de Inácio Ribeiro do Valle. Este Inácio é filho do Felisberto e é sobrinho do João Ribeiro do Valle, ou seja, o pai da mulher do 1o Barão de Cajurú é primo irmão do Domingos Antonio Ribeiro do Valle cuja filha se casou com o sobrinho comprador de fazendas do Visconde do Rio Preto. Temos cá, o contraparentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô, 1o Barão de Cajurú, com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto e o parentesco do sangue Ribeiro do Valle com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto e, também, a ligação social entre o Marquês de Bonfim e o 1o Barão de Cajurú.

3o) Com a morte do Visconde do Rio Preto, a 7/7/1868, no meio da magnifica festa que dava na Paraiso para comemorar a inauguração do ramal Paraibuna-Porto das Flores da estrada de ferro, a fazenda vai para seu filho Domingos, 2o Barão de Rio Preto, que, ao morrer em 1876, deixa a Paraiso para seu filho, tambem Domingos (Dominguinhos), que é casado com uma filha de Manoel Vieira Machado da Cunha, Barão d’Aliança, que comprou a Paraiso do genro em 1895. Este Barão d’Aliança é sobrinho de José Vieira Machado da Cunha, 1o Barão do Rio das Flores, que é casado com Maria Salomé que é irmã do meu bisavô João Antonio de Avellar e Almeida e Silva que é casado com uma neta do 1o Barão de Cajurú. Temos cá, o parentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô, 1o Barão de Cajurú, e o sangue Avellar e Almeida do meu 4o avô Manoel de Avellar e Almeida, com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto.

4o) Em 1912, a Paraiso é vendida pelo Barão d’Aliança ao major Galileu Belfort de Arantes que é sobrinho do Visconde de Arantes e é neto de Antonio Belfort de Arantes, 1o Barão de Cabo Verde (quem, por sua vez, é sobrinho de Manoel Rufino de Arantes, meu 4o avô, e de sua mulher Ana Joaquina de Carvalho que é irmã de João Gualberto de Carvalho, 1o Barão de Cajurú). A mulher do 1o Barão de Cabo Verde é Maria Custódia Ribeiro do Valle, que é irmã de Ana Inácia Ribeiro do Valle casada com João Gualberto de Carvalho, 1os Barões de Cajurú. O Visconde de Arantes é casado com uma filha dos 1os Barões de Cajurú.

Temos cá, o grand finale desta secular teia/trama familiar construída desde o 1o quartel do século XIX, com a junção do sangue Guimarães, do sangue Carvalho, do sangue Ribeiro do Valle, do sangue Avellar e Almeida e do sangue Arantes que, através de um trineto do 1o Barão de Cabo Verde (que é meu tio tetravô), é o atual proprietário da fazenda Paraiso, agora de gado leiteiro e não mais do café que foi o grande articulista social/financeiro desta fazenda cuja casa solarenga, imponente, elegante e requintada, é considerada por Taunay e o Conde d’Eu como o mais belo palacete rural brasileiro, a Rainha das Fazendas.

Fontes: O Vale do Paraíba, Eloy de Andrade, Real Gráfica, Rio de Janeiro, 1989, pgs.: 205 a 208, 220, 299, 309.
História de Valença 1803-1924, Luís Damasceno Ferreira, Graphica Editora Paulo Pongetti, Rio de Janeiro, 1925.
A Família Arantes, Américo Arantes Pereira, Legis Summa, Ribeirão Preto, 1993.

A Família Ribeiro do Valle, José Ribeiro do Valle, pgs: 12 e 57.

Dicionário das Famílias Brasileiras, Carlos E.Barata/Cunha Bueno, Brasília, 2000.
Anuário Genealógico Brasileiro Ano I, II, III, IV, VI, VII e IX. Revista Genealógica Latina, Vol. XII, 1960.

Dispondo de uma das mais belas e imponentes sedes, construída por volta de 1845.
A Fazenda Paraíso fica em Manuel Duarte, município de Rio das Flores-RJ. Com dois pavimentos em toda a área, chega – se ao portão de entrada por uma alameda de palmeiras imperiais.
A casa em forma de U tem a ala esquerda tomada pela grande capela, que ocupa espaço dos dois andares; a parte central destina – se aos numerosos salões; a ala direita, aos dormitórios.
Conheceu no passado inigualável esplendor econômico e social. Principal Fazenda de Domingos Custódio Guimarães ( * 07 / 09 / 1802 MG ) , Barão do Rio Preto ( 1854 ) e mais tarde Visconde do Rio Preto ( 1867 ). Grande cafeicultor e notável figura humana, Paraíso foi palco de festas suntuosas com presença da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. Foi nela que pela primeira vez se utilizou iluminação a gás no Brasil ( 25 / 03 / 1854 ), gerada por equipamentos importados pelo Visconde. O solar tem acabamento sofisticado: portas almofadadas, pinturas nas paredes, assoalhos especiais, bandeiras das portas e janelas artisticamente desenhadas, papéis de parede estrangeiros escadas entalhadas e sacadas com gradil de ferro.

OBS: A FAZENDA PARAISO NO MUNICÍPIO FLUMINENSE DE RIO DAS FLORES ESTÁ SERVINDO DE AMBIENTE PARA A MINI-SÉRIE "UM SÓ CORAÇÃO" DA REDE GLOBO. NESTA MINI-SÉRIE A FAZENDA PARAISO É DE PROPRIEDADE DO CORONEL TOTONHO
(TARCÍSIO MEIRA)

Para saber mais:

Fonte: http://www.jbcultura.com.br/Anibal/fazparaiso.htm

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