Novos
caminhos do ouro
Livro
reúne resultado de pesquisas e expedições
pela Estrada Real; entre as novidades está uma nova
rota do caminho via Taubaté
Liv
Taranger - São José dos Campos
Você pode dizer que por aqui no Vale do Paraíbapassa
a história do Brasil? Ficou na dúvida? Os pesquisadores
Fabio de Oliveira Sanches, Francisco Sodero Toledo e Henrique
Alckmin Prudente afirmam que sim. A resposta é justificada
no livro "Estrada Real: O Caminho do Ouro".
A
obra que será lançada este mês na região
traz o olhar dos três professores da Unisal (Centro
Salesiano de São Paulo) de Lorena sobre o trajeto conhecido
como Estrada Real ou Caminho do Ouro, no trecho paulista entre
os atuais municípios de Cunha, Guaratinguetá
e Lorena.
O
livro reúne o resultado de pesquisas e expedições
realizadas pelos autores junto ao Núcleo de Pesquisa
Estrada Real do Centro Universitário Salesiano de Lorena.
"Este é um sub-produto do projeto que integra
história, geografia e turismo", afirmou o historiador
Francisco Sodero Toledo.
São
163 páginas que trazem os aspectos históricos
e geográficos do caminho usado no século 18
para transportar o ouro das "Minas Gerais" até
o porto de Paraty (RJ).
"Ao
mesmo tempo tratamos dos costumes, da culinária, dos
vestuários e até da prostituição
na nossa região naquele período. O mérito
do livro é estar ligado com o que é nosso, valorizando
a nossa história", apontou Sodero.
CURIOSIDADES
- Depois de três anos de pesquisa, pode-se cair na tentação
de afirmar que o caminho está completo. No entanto,
como em qualquer pesquisa, abre-se a perspectiva para um novo
debate e para novas descobertas.
"Sempre
temos idéia do Vale paulista, mas durante o trabalho
percebemos que somos tudo: paulistas, mineiros e fluminenses.
Para mim foi uma redescoberta, pois tudo é interligado",
revelou o historiador.
Outro
ponto observado por ele é que boa parte dos mineiros
da nossa região são na verdade paulistas que
foram para Minas Gerais e voltaram. "Naquele período
muitas pessoas mudaram para Minas e passaram por aqui. No
século 18, 80% das cidades mineiras foram fundadas
por paulistas".
As
outras curiosidades ficam por conta da trilha do século
19 que o grupo descobriu e a redescoberta do Caminho do Ouro
via Taubaté, praticamente desconhecida e abandonada
em 1711. "Ainda tem muita coisa para se pesquisar",
diz.
O
livro é destinado a alunos de graduação,
principalmente das áreas de educação,
geografia, história e turismo, a professores e interessados
no tema.
OUTROS
CAMINHOS - Sodero já deixa claro que nem entrou no
assunto dos descaminhos do ouro, ou seja, as rotas do contrabando
nessa obra. "Isto dará um outro livro". Segundo
o historiador, por meio da ilegalidade foram extraídos
três vezes mais ouro.
Em
"Estrada Real: O Caminho do Ouro" ele cita processos
encontrados em que o governador do Rio de Janeiro falou, no
começo do século 18, que os brasileiros são
hábeis para roubar e mais hábeis para simular.
"Nesses documentos encontramos as raízes da corrupção
no Brasil".
TURISMO
- Segundo o professor de história, existe um grande
projeto de turismo destinado à Estrada Real. "Fizemos
várias expedições, é realmente
uma experiência única. Em um trecho ficamos 11
horas caminhando na mata", afirmou ele que faz questão
de lembrar que os turistas percorrem locais primitivos onde
todos os bandeirantes passaram.
A
previsão, de acordo com Sodero, é que em um
ano mais de um milhão de pessoas tenham feito o trajeto
do Caminho do Ouro.
Fonte:
Jornal Valeparaibano, caderno Vale Viver de 10 de setembro
de 2006.