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Com suas cidades nascidas sob o signo de padroeiras e padroeiros, o Vale do Paraíba logo se tornou um Vale festeiro. Ladainhas, novenas e procissões movimentam e povoam, há quase 400 anos, capelas, igrejas, ruas e praças, reunindo o povo em torno de festas em louvor e antigas devoções ou em torno de novas atrações.

No Vale do Paraíba, compromissos e negócios se regem, não raro, pelo “tempo das festas”. As coisas acontecem “antes da festa” ou “depois da festa”, principalmente quando se trata dos grandes eventos, como o Ano Bom, o Carnaval, a Semana Santa, os festejos de São Benedito, as festas do Divino ou o Natal, entremeados de algumas festas de santos padroeiros.

A festa é uma instituição que se integra até no linguajar do valeparaibano. Todos concordam que “o melhor da festa é esperar por ela”, mesmo sabendo que “em festa de jacu, inhambu não entra”. Ainda que você seja “peru de festa”, sabe que “em festa e batizado só vá se for convidado”. É certo que “quem convida dá banquete”, mas não podemos esquecer que “pela festa se conhece o festeiro”, sempre chegando o momento em que “festas acabadas, músicos a pé”.

Cada município, cada cidade tem suas festas favoritas, mas algumas delas se destacam por sua tradição, seu significado e sua importância no contexto turístico e cultural, merecendo destaque especial.

Festas Carnavalescas
– Conhecida como “a cidade musical do Vale do Paraíba”, São Luiz do Paraitinga se destaca na região pela autenticidade de seu carnaval e, em especial, pelo “Festival de Marchinhas Carnavalescas”. Entre as cidades que aderiram às Escolas de Samba, Guaratinguetá merece menção especial, com várias escolas desfilando com sucesso, a partir da década de 1950. – Bonecões artesanais também estão presentes nas festas carnavalescas. Em Monteiro Lobato são conhecidos por “Pereirões”; em São José dos Campos tomam o nome de “Grupo Piraquara” e em São Luiz do Paraitinga representam figuras do folclore da região.

Semana Santa
– As cidades valeparaibanas, em sua maioria, mantêm as Semanas Santas, com suas solenidades, procissões, matracas, imagens antigas e comidas típicas como a bacalhoada, a paçoca de amendoim e o pinhão. Menção especial para: - Guaratinguetá (Catedral de Santo Antônio), - Aparecida (Basílicas), - São Luiz do Paraitinga (Matriz), - Silveiras. Festival do Barro – batalha com lama, preparada em um grande tanque. Domingo de Páscoa, pela manhã. Queima de Judas – em alguns anos, em Cunha, em Areias e em São Luiz do Paraitinga. Domingo de Páscoa.

Festas de São Benedito
– Padroeiro dos escravos, as festas em seu louvor são realizadas em toda a região, mantendo tradições, usos e costumes. Merecem destaque: - Guaratinguetá – realizada desde 1757. Igreja de São Benedito. Praça Joaquim Vilela de Oliveira Marcondes. Domingo de Páscoa e segunda-feira. – Aparecida – presença de grande número de grupos folclóricos do sul de Minas e região. Igreja de São Benedito. Domingo e segunda-feira seguintes à Páscoa (uma semana após a de Guaratinguetá).

Festas do Divino Espírito Santo
– Vinda da terra lusa, a Festa do Divino chegou ao Vale do Paraíba com os portugueses. Realizada desde o Brasil-colônia, nas antigas vilas da região. Poucas preservam suas tradições, como – São Luiz do Paraitinga. Igreja de São Luiz de Tolosa. Praça Oswaldo Cruz (40 dias após a Páscoa – Pentecostes). – Cunha. Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição (julho).

Festas Juninas e Julinas
– Realizadas em toda a região, homenagem aos santos: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho), São Pedro e São Paulo (29 de junho). Estas festas são realizadas em escolas, bairros rurais e ruas, nos diversos municípios. – Queluz – Padroeiro da cidade, São João tem sua festa com pompa, fogueira e grande queima de fogos. Igreja matriz de São João (junho).

Festas de Tropeiros
– Com culinária típica e desfile de tropas autênticas, tiveram início na década de 1980, como a de Silveiras. Praça do Tropeiro. Último domingo de agosto. – Outras: Paraibuna, Piquete, Jambeiro etc. Anualmente.

Festas de Fazendeiros
– Com o ciclo agropecuários na região, exposições de gado, produtos da fazenda, leilões de cavalos, hipismo rural, rodeio, shows com artistas famosos, restaurantes e distrações para crianças, passaram a atrair o grande público. Destaque para a Fapija – Feira Agropecuária e Industrial de Jacareí (julho).

Festas de Padroeiros
– Nascidas sob o signo de padroeiros, as cidades do Vale não deixam de festejar anualmente os seus protetores, com novenas, missas, quermesses, procissões e música. Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida possui a maior festa, que não se realiza apenas no seu dia – 12 de outubro. Acontece durante todo o ano, quando chegam centenas de romarias e milhares de devotos, fazendo da Basílica Nacional uma festa contínua, especialmente aos domingos e feriados. – Senhor Bom Jesus, com grandes romarias, novena, missas, barracas. Em Tremembé.

Festas de Natal
– Presépios, Pastorinhas e Folias de Reis marcam na região o ciclo de festas natalinas. Estão presentes principalmente na cidade de São Luiz do Paraitinga, entre 24 de dezembro e 6 de janeiro – dia dos Santos Reis. Em Taubaté, como em São José dos Campos, há também a tradição de fazer “figurinhas de presépio”. Sua forma lembra as que são vendidas em algumas feiras de Portugal. Podem ser encontradas no Mercado Municipal de Taubaté e na Rua da Imaculada, na mesma cidade. Muito procuradas por turistas estrangeiros, encantados com sua arte e criatividade.

Este texto foi integralmente retirado do livro “O Vale Paulista do Rio Paraíba”, de autoria de Tom e Thereza Maia.





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