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VERBETES
 
REGIÃO
 


Por Francisco Sodero Toledo

"Território que se distingue dos demais por possuir caraterísticas próprias."
Dicionário Aurélio

A idéia de região, presa ao paradigma da modernidade, sempre esteve ligada à noção do nacional, que lhe emprestava razão e sentido de existir. A região constitui-se num espaço físico-natural determinado, demarcado e delimitado do ponto de vista geográfico, político e administrativo, no contexto de um Estado Nacional. Portanto, a idéia de região vem sendo apresentada como o resultado de atos de autoridade política, consistindo em circunscrever um território, definindo-lhe as fronteiras. O espaço daí resultante não é natural. Ele deriva de uma imposição, de uma convenção no âmbito do poder que lhe deu origem e o confirmou por atos jurídicos. Daí a denominação de região do Vale do Paraíba Paulista como um espaço geográfico com características naturais bem definidas pela presença do Rio Paraíba do Sul, cercado pelas serras do Mar e da Mantiqueira. Um território delimitado do ponto de vista político e administrativo, constituindo-se numa das regiões administrativas do Estado de São Paulo. Este modelo de região acabou gerando preconceitos, transformando-a em unidades fechadas e isoladas das demais comunidades, circunscritas por fronteiras, reduzidas a uma unidade simples, apreendida de forma unidimensional, tendendo para uma homogeneização, segundo os preceitos dos modelos externos. A sua representação social era determinada pela relação tempo-espaço.

O tempo percebido como a expressão de uma divisão mecânica, à semelhança de um universo regido por leis, orientado de forma linear. Um lugar visto como a complementariedade da evolução da humanidade, ou como queriam os
sociólogos, visto como um espaço social bem delimitado, constituído por um conjunto de relacionamentos sociais estreitos, marcado pela influência da família, da comunidade, na dimensão do tempo marcada pela continuidade da residência num mesmo local. A partir deste enfoque, a questão regional pressupunha uma dada continuidade cultural, uma identidade social homogênea, integrada e, portanto, estável. Em outras palavras, uma comunidade distinta, um lugar social peculiar, onde os relacionamentos e as regras de convivência fossem simples e diretas, capazes de instituir e sedimentar uma união duradoura e autêntica. A visão era de uma comunidade específica, integrada, relativamente isolada, baseada em relacionamentos estáveis que eram alimentados por laços afetivos e emocionais estreitos, pressupondo uma continuidade temporal. Em síntese, o espaço assim construído é representado pela sua própria organização racional, capaz de produzir um efeito que nada mais é do que o poder de o cartografar, de delimitá-lo e submetê-lo a critérios racionais, buscando a homogeneidade da paisagem.

Como parte de um todo, do território nacional. Com os efeitos já considerados da manutenção da divisão dicotômica de centro-periferia, de superiores-inferiores, induzindo a um só modelo. Com efeito, os detentores de status e poder passam a discorrer sobre os fenômenos humanos e naturais da região, determinando o modo de sua ocupação e utilização do seu arranjo e do todos os problemas decorrentes. Com as rápidas e profundas mudanças sociais verificadas neste final de século e com a conseqüente crise da modernidade este modelo de região se esgota. Começa a tomar novas especificidades, quer pelo direcionamento das questões nacionais voltadas para a globalização, provocando o deslocamento dos centros
hegemônicos, quer pelos novos enfoques dados à questão nos meios acadêmicos, remetendo para a redescoberta do espaço regional, na busca da compreensão e da valorização, no conjunto, do tempo-espaço-regional. O interesse renovado com relação à questão regional começou a crescer a partir da década de 70. Tanto a nível institucional, por várias esferas governamentais, quanto pela proliferação de centros de estudos e de pesquisas exclusivamente dedicados à temática.

 

 
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