"Território
que se distingue dos demais por possuir caraterísticas
próprias."
Dicionário Aurélio
A
idéia de região, presa ao paradigma da modernidade,
sempre esteve ligada à noção do nacional, que
lhe emprestava razão e sentido de existir. A região
constitui-se num espaço físico-natural determinado,
demarcado e delimitado do ponto de vista geográfico,
político e administrativo, no contexto de um Estado
Nacional. Portanto, a idéia de região vem sendo
apresentada como o resultado de atos de autoridade
política, consistindo em circunscrever um território,
definindo-lhe as fronteiras. O espaço daí resultante
não é natural. Ele deriva de uma imposição, de
uma convenção no âmbito do poder que lhe deu origem
e o confirmou por atos jurídicos. Daí a denominação
de região do Vale do Paraíba Paulista como um
espaço geográfico com características naturais
bem definidas pela presença do Rio Paraíba do
Sul, cercado pelas serras do Mar e da Mantiqueira.
Um território delimitado do ponto de vista político
e administrativo, constituindo-se numa das regiões
administrativas do Estado de São Paulo. Este modelo
de região acabou gerando preconceitos, transformando-a
em unidades fechadas e isoladas das demais comunidades,
circunscritas por fronteiras, reduzidas a uma
unidade simples, apreendida de forma unidimensional,
tendendo para uma homogeneização, segundo os preceitos
dos modelos externos. A sua representação social
era determinada pela relação tempo-espaço.
O tempo percebido como a expressão de uma divisão
mecânica, à semelhança de um universo regido por
leis, orientado de forma linear. Um lugar visto
como a complementariedade da evolução da humanidade,
ou como queriam os sociólogos,
visto como um espaço social bem delimitado, constituído
por um conjunto de relacionamentos sociais estreitos,
marcado pela influência da família, da comunidade,
na dimensão do tempo marcada pela continuidade
da residência num mesmo local. A partir deste
enfoque, a questão regional pressupunha uma dada
continuidade cultural, uma identidade social homogênea,
integrada e, portanto, estável. Em outras palavras,
uma comunidade distinta, um lugar social peculiar,
onde os relacionamentos e as regras de convivência
fossem simples e diretas, capazes de instituir
e sedimentar uma união duradoura e autêntica.
A visão era de uma comunidade específica, integrada,
relativamente isolada, baseada em relacionamentos
estáveis que eram alimentados por laços afetivos
e emocionais estreitos, pressupondo uma continuidade
temporal. Em síntese, o espaço assim construído
é representado pela sua própria organização racional,
capaz de produzir um efeito que nada mais é do
que o poder de o cartografar, de delimitá-lo e
submetê-lo a critérios racionais, buscando a homogeneidade
da paisagem.
Como parte de um todo, do território nacional.
Com os efeitos já considerados da manutenção da
divisão dicotômica de centro-periferia, de superiores-inferiores,
induzindo a um só modelo. Com efeito, os detentores
de status e poder passam a discorrer sobre os
fenômenos humanos e naturais da região, determinando
o modo de sua ocupação e utilização do seu arranjo
e do todos os problemas decorrentes. Com as rápidas
e profundas mudanças sociais verificadas neste
final de século e com a conseqüente crise da modernidade
este modelo de região se esgota. Começa a tomar
novas especificidades, quer pelo direcionamento
das questões nacionais voltadas para a globalização,
provocando o deslocamento dos centros hegemônicos,
quer pelos novos enfoques dados à questão nos
meios acadêmicos, remetendo para a redescoberta
do espaço regional, na busca da compreensão e
da valorização, no conjunto, do tempo-espaço-regional.
O interesse renovado com relação à questão regional
começou a crescer a partir da década de 70. Tanto
a nível institucional, por várias esferas governamentais,
quanto pela proliferação de centros de estudos
e de pesquisas exclusivamente dedicados à temática.