A Moça Misteriosa
Um jovem oficial do exército estava morando em Pindamonhangaba e foi convidado para uma festa. Sentindo-se ainda deslocado na cidade, logo notou a beleza de uma moça que estava na varanda da casa. Aproximou-se e apresentou-se, sendo retribuído em atenção.
Passaram a noite sentados, conversando. Pareciam conhecidos há anos. No final da festa combinaram encontrar-se novamente na semana seguinte, pois a moça disse não morar na cidade.
Reencontraram-se, passaram momentos agradáveis e a moça convidou-o para conhecer o antigo solar da família. O oficial já tinha passado por ali e sabia que o casarão estava abandonado, mesmo assim não se preocupou e para lá foi, acompanhando a moça. Algumas vezes ela mencionou que estava ali para buscá-lo, mas ele apenas a seguia sem levar em consideração o que ela lhe dizia. Caminharam por todo o solar, passando pelas portas velhas e pedaços de paredes caídas pelo chão. A certa altura a moça parou e o convidou a seguir com ela, neste momento, olhando fixamente para ela, o jovem oficial percebeu que já não conseguia vê-la com nitidez. Assustado não a seguiu e apenas foi capaz de vê-la ao poucos desaparecer por entre a paredes que restavam do solar.
Desesperado, o rapaz voltou para sua casa e começou a ficar perturbado com o que lhe ocorrera. Tendo contado o fato para um amigo, antigo morador da cidade, ficou sabendo, então, que a moça havia falecido há anos e lá fora enterrada, mas seu espírito permanecia no solar, pois no passado o solar havia sido uma das grandes mansões da cidade. Seu pai era um dos dignitários do Império, e com sua morte teria deixado o solar para um filho mais velho, que não cuidou da propriedade para a tristeza da jovem filha caçula, que nunca conseguiu a transferência da herança.
O jovem oficial do exército não suportou a ausência da moça misteriosa, tornou-se um homem triste com suas lembranças e por fim, morreu.