Santa Branca
Domingos
Brito de Godoy doou terras para a construção
da capela em homenagem a Santa Branca, de quem era
devoto. Com isso, surgiu o povoado.
Procissão das Almas
Por
volta de 1905, em Santa Branca, ainda havia muitas
procissões. Estes eram momentos em que toda
a sociedade encontrava-se para realizar suas orações
e ver-se. As procissões, mais do que um momento
religioso eram verdadeiras festas da comunidade. A
vida em comunidade tinha suas regras.
Havia entre as pessoas a preocupação
umas com as outras. E quem avisava amigo era, e de
verdade. Certa costureira que morava na Rua Direita,
perto do Mercado Municipal, não se preocupou
muito com os conselhos do povo. E sabe-se bem o dito
popular: ”quem não ouve ou é louco
ou é bobo”. A costureira foi avisada
que a cada sete anos, em sexta-feira de lua cheia,
acontecia a procissão dos mortos. No dia previsto,
a mulher preparou-se para confirmar o que achava uma
bobagem do povo. Deixou seus afazeres de lado, observou
o cair da noite e foi para a janela, que já
estava deserta, pois ninguém queria pagar para
ver. E lá ficou e enquanto esperava, viu ao
longe, no alto da ladeira, apontar uma procissão,
cheia de pessoas. A mulher não teve medo, admirou
a beleza da procissão. Permaneceu na janela,
observando uma sucessão de caminhantes vestidos
de preto, outros de branco, todos segurando velas.
De repente, um dos caminhantes parou em frente a janela
da curiosa mulher e entregou-lhe a vela que trazia
em suas mãos. A mulher prontamente aceitou
e continuou assistindo a procissão
passar e desaparecer nas proximidades do cemitério.
Terminada a procissão, a mulher foi descansar
para a labuta do dia seguinte, antes, porém,
guardou a vela que recebeu durante a procissão.
No dia seguinte, quando foi procurar pela vela, encontrou
desesperada, no lugar da vela, um osso de defunto,
mais especificamente da canela do defunto que a presenteou.
Sem saber o que fazer com aquilo, foi aconselhada
por um padre a realizar o seguinte ritual: escolher
duas crianças que ainda mamassem para devolver
o osso porque provavelmente o defunto voltaria para
buscar o seu osso. Na noite seguinte, a procissão
retornou para que seu membro pudesse recolher seu
osso. A mulher lá estava no mesmo lugar, mas
desta vez com as crianças no colo. Ao passar
perto da mulher o vulto se aproximou dela e recebeu
seu osso da canela deixando a ela a sentença
de que só não já estava entre
eles por causa da inocência das crianças
que carregava no colo. Ficou ainda a lição
de que, advertidos, jamais devemos meter o nariz onde
não fomos chamados.