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História

Campos do Jordão é formada por três núcleos que ao longo do vale se desenvolvem com a característica de Vilas: Abernéssia, Jaguaribe e Capivari. Jaguaribe foi o primeiro núcleo a surgir, com a fundação da Vila de São Matheus do Imbiri por Matheus da Costa Pinto em terras adquiridas do Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão (que já eram chamadas de Campos do Jordão). Capivari surgiu no início do século pelos esforços urbanísticos e acurado planejamento de Emílio Ribas, sendo hoje o centro turístico da Estância.
Através da Lei n° 2140 de 01/10/1926, transformou-se em Estância Hidromineral e por força da Lei n° 1844 de 17/11/1978, passou a denominar-se Estância Turística.

Fragmentos da História de Campos do Jordão-Os dois ciclos da estância

Mateus da Costa Pinto, ao lançar as sementes do primeiro núcleo, destinado a forasteiros que vinham para estas montanhas atraídos pela excelência do clima, plantou os alicerces da cidade que nascia sob o signo da doença. Ele próprio adquiriu terras nos altos da Mantiqueira objetivando construir casa para descanso e recuperação da saúde.
O Dr. Domingos Jaguaribe, no final do século, adquiriu boa parte das terras de Mateus da Costa Pinto e constituiu a Companhia Brasileira de Colonização, responsável pelo desenvolvimento de vasta área desde o Vale do Imbiri ao Alto da Boa Vista.
O Dr. Domingos Jaguaribe alardeou em todo o País as qualidades terapêuticas do ar puro desta terra, acompanhado por Emílio Ribas e Vitor Godinho, sanitaristas de renome e grandes divulgadores do milagre que o clima proporcionava na recuperação da saúde.
O povoado que nasceu em 1874 transformou-se em estância de repouso e, na década de 20, firmava-se como centro de tratamento de doenças pulmonares, procurado por enfermos de todas as partes do País.
Da vila-mater de São Mateus do Imbiri, mais tarde denominada Vila Jaguaribe, a cidade estendeu-se pelo vale do ribeirão Capivari dando origem a outros bairros, urbanizados pelos pioneiros Robert John Reid - Vila Abernéssia e o Embaixador José Carlos de Macedo Soares - Vila Capivari.
Para atender à grande demanda de doentes que, em número sempre crescente, procuravam a estância, foram construídos sanatórios - o primeiro, o Divina Providência, em 1929. Em meados da década de 40 Campos do Jordão possuía 14 sanatórios. As dezenas de pensões, a maioria nas vilas Abernéssia e Jaguaribe completavam os leitos, sempre insuficientes para acolher todos os doentes.
Foi a primeira fase da Estância, da solidariedade humana, o ciclo da doença, decantada de forma romântica por Dinah Silveira de Queiroz em "Floradas na Serra" e descrita de forma realista por Paulo Dantas em "Cidade Enferma".
A procura do clima por personalidades do mundo social e empresarial, principalmente de São Paulo - o maior centro industrial da América Latina, que aqui vieram construir suas casas de veraneio, começou a mudar a fisionomia da cidade na década de 30. Era o inicio da transição de Campos do Jordão cidade-saúde para cidade-turismo.
Alguns fatores contribuíram decisivamente na transformação: zoneamento, construção do Palácio do Governo e construção de hotéis exclusivamente para turistas.
O zoneamento da cidade foi feito em fins da década de 30. A localização de sanatórios fora da zona urbana e a proibição de pensões para doentes na zona residencial - medidas preconizadas pelo zoneamento - eram garantias de que os doentes ficariam confinados nos hospitais, podendo os turistas usufruírem plenamente da cidade sem o receio de contágio. Estes, por sua vez, para se hospedarem nos hotéis, apresentavam atestados de saúde. Alguns hotéis, como o Grande Hotel e o Toriba, tinham instalações de Raio X.
A construção do Palácio do Governo e o surgimento de hotéis de classe internacional foram as molas propulsoras da transformação da Estância.
As obras do Palácio Boa Vista foram iniciadas em 21 de julho de 1938, quando era Interventor Federal no Estado o Dr. Adhemar de Barros, e concluídas 26 anos depois, em 1964, quando Adhemar voltou a governar São Paulo.
O Grande Hotel foi construído em 1944 pelo Governo do Estado. No ano seguinte foi instalado o cassino que funcionou até 1946. Outros hotéis de classe internacional constituíram-se em fatores de incremento do turismo, que nascia nessa década: Hotel Toriba em 1943, Hotel Rancho Alegre em 1946 e Hotel Vila Inglesa em 1947.
Em vários setores era evidente a transformação: na Administração Municipal, enquanto órgãos assistenciais como o DASMU - Departamento de Assistência Social do Município - e o Parque Sanatorial das Municipalidades eram extintos, um órgão como a DMTUR - Diretoria Municipal de Turismo, destinado a disciplinar as atividades turísticas, era criado.
Também no setor privado notava-se a mudança: a fundação da Associação Comercial, da Associação Hoteleira, da JORTUR - Agência de Turismo eram sinais de que a população começava a voltar-se para a nova vocação jordanense: o turismo.
Acompanhando o crescente fluxo de turistas, o Estado investiu na Estância em forma de instalação de equipamentos turísticos e realização de eventos artístico-culturais.
A Estrada de Ferro Campos do Jordão, de antigo meio de transporte de doentes, passou a prestar serviços turísticos operando trens de luxo entre Pinda e Campos do Jordão e bondes urbanos em fins de semana, feriados e temporadas. Antigas gôndolas foram transformadas em auto-trem para transporte de automóveis. Em 1971 instalou o teleférico do Morro do Elefante e o controle da ferrovia passou da Secretaria de Transporte para a Secretaria de Turismo.
O Festival de Inverno, que nasceu no Palácio Boa Vista, é hoje certamente o mais importante festival de música erudita do Pais.
Para abrigar esse evento de renome internacional foi construído o Auditório Cláudio Santoro e, junto a ele, o Museu Felícia Leirner.
O Parque Estadual - reserva ecológica da Mantiqueira - criado em 1941 com o objetivo de proteger o remanescente da mata de araucárias, tem atualmente como meta o ecoturismo.
O avanço da medicina que introduziu o tratamento quimioterápico em doenças pulmonares, tornando secundário o fator clima, a desativação dos sanatórios exclusivamente para tísicos apagaram os últimos vestígios do primeiro ciclo de Campos do Jordão.
Hoje a estância vive intensamente, seu segundo ciclo, o do turismo, iniciado há meio século com a construção do Palácio Boa Vista.

* Texto de Arakaki Masakazu
Diretor do Palácio Boa Vista durante 28 anos

Os Campos do Jordão

1703 - Gaspar Vaz, alcunhado "O Oyaguara" abre o primeiro caminho de Pindamonhangaba ao Sapucaí. Como seu objetivo era só o de transportar por ali ouro das minas de Itajubá, esse caminho mais tarde foi fechado por ordem real.
1711 - Surge a figura lendária de Inácio Caetano Vieira de Carvalho. Em 1773, sob a alegação de que as terras haviam sido abandonadas devido ao frio intenso e ao grande número de onças existentes, requereu e obteve sesmaria. Fundou a Fazenda Bom Sucesso.
1825 - As terras são vendidas ao Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, por escritura pública lavrada a 27 de novembro. Sendo o Brigadeiro Jordão figura histórica da nossa Independência, o povo, que nessa altura denominava o local apenas de os "Campos", passou então a chamá-lo de os "Campos do Jordão".
1874 - Matheus da Costa Pinto, tendo adquirido uma parte das terras que pertenciam ao Brigadeiro Jordão, transfere-se de Pindamonhangaba para os "Campos do Jordão" onde, a 29 de abril de 1874 deu início a diversas construções, fundando, assim, o primeiro povoado, que denominou São Matheus do Imbiri, por estar localizado nas proximidades do Pico do Imbiri.
Muitos anos decorreram, até que, no princípio deste século, médicos que fizeram a história de Campos do Jordão, como Emílio Ribas, Vitor Godinho, Francisco Romeiro e Gustavo Godoy, descobriram a excelência do clima para a cura da tuberculose.
E agora, na visão de Mário Ferraz em 1940 (escrito em português arcaico):
"Ao fazermos uma pequena parada, um dos companheiros lembrou de contar a historia dos Campos do Jordão, o que passamos a resumir:"
'As primeiras noticias acêrca de Campos do Jordão, datam de 1700, quando ainda se debatiam os litigios de posse entre S. Paulo e Minas e particulares. Tão agitadas foram as demandas, que o "roteiro" de Antonil disse, certa vez, que ninguem transpunha a "Amantiqueira" (que era como chamavam então a Serra da Mantiqueira), sem lhe deixar sepulta ou pendurada a consciencia'.
'Entre 1703-1704, Gaspar Vaz, o "Ouyaguara", aventurou-se em abrir caminho serra acima, em direção ao Sapucahy e Capivary. Por esse roteiro, escreveu o saudoso dr. Olympio Portugal, em brilhante artigo publicado na "Revista do Brasil" - "entrou a primeira gente em Campos do Jordão". O dr. Romeiro, em seu interessante trabalho dá uma versão segundo a qual foi um morador de Taubaté, - Ignacio Caetano Vieira de Carvalho, o primeiro que teve a glória de descobrir os maravilhosos Campos. Segundo outros - "elle requerera, primeiramente, sesmaria de 9 leguas, denominando as suas terras - Fazenda do Bom Successo". Mais tarde, recorda o illustrado medico já citado, surge um tal Costa Manso, de Taubaté, e obtem sesmaria ao lado de Ignacio Caetano. 'Sob a pressão dos mineiros, Manso pendia por aquella jurisdicção, emquanto Caetano se batia pelo dominio paulista. Conta-se que Ignacio Caetano era do Rio das Mortes e Manso, paulista. O destino, porém, obrigou-os a abrir luta contra as terras de origem'. Diz o dr. J. Romeiro haver Caetano vivido 20 annos nos Campos do Jordão, 'inteiramente sequestrado do mundo, em companhia dos seus dois unicos filhos, tendo conseguido avultada fortuna, a qual, depois da sua morte, se dizia enterrada perto de velhos pinheiros (Malú Donato - Geca-Holos - Campos do Jordão) , o que deu logar a inuteis escavações'...
"Com a morte de Ignacio Caetano, foi grande parte da antiga fazenda adquirida em escriptura publica, a 27 de dezembro de 1825, pelo Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão, pela quantia de 10:000$000 (!!). O Brigadeiro passou a denominal-a - Fazenda Natal. O povo, porém, já havia começado a chamal-a - Fazenda dos Campos. A escriptura menciona uma legua de testada no sertão das cabeceiras do Piracuama, Campos de São Miguel, Sapucahy e Itajubá."
"Pouco tempo depois ordenava o Brigadeiro varios melhoramentos e a construcção de uma vivenda fidalga que ficava, ao que parece, lá para as bandas de Capivary, que é justamente o ponto mais pittoresco da encantadora região. Até 1860 ainda existia essa habitação, já muito estragada, não tendo, afinal, chegado a ser habitada senão pelos campeiros, visto como o Brigadeiro Jordão falleceu antes que pudesse realisar a sua primeira visita á Fazenda. Figura de relevo no meio social e politico de então, o Brigadeiro mal dispunha de tempo para emprehender a viagem aos Campos, viagem que naquelles tempos era o que chamamos hoje - uma tragedia. Manuel Rodrigues Jordão muito se distinguiu nos tempos da Regencia e primeiros dias do Imperio."
"Foi membro do Governo Provisorio em 1822, sendo deposto com Martim Francisco, o velho, na "Bernarda", de Francisco Ignacio. É uma figura historica da nossa Independencia. Com o Barão de Iguape, Antonio da Silva Prado, o Brigadeiro Jordão hospedou em São Paulo, no dia 7 de Setembro de 1822, o Principe Regente D. Pedro, no velho predio de sua propriedade, do canto da rua Direita e S. Bento, posteriormente o Hotel de França e hoje o Palacete Jordão. 'Herdaram os Campos do Jordão os seus filhos: Manuel Rodrigues Jordão, Amador Rodrigues Jordão, mais tarde Barão de S. João do Rio Claro, Coronel Silverio Rodrigues Jordão e Dr. Rafael Araujo Ribeiro, casado com a sua unica filha. Mas, - conta-nos ainda o saudoso dr. Romeiro - 'ou por terem recebido grandes heranças mais faceis de serem desfructadas, ou por não conhecerem o valor real do quinhão que coube a cada um nesta fazenda, o certo é que elles não ligaram importancia á propriedade, que ficou por largo tempo esquecida e entregue a administradores incapazes. 'E, retalhando-a com o correr dos annos, della se desfizeram sem saber ao certo o que vendiam'..."
"Ninguem, até então, diz o dr. Romeiro, havia observado seriamente as excellencias do clima, especialmente com relação ás doenças do peito. Foi depois que alguns medicos de Pindamonhangaba se constituiram donos de parte daquella região e ali fixaram residencia, que se poude verificar com segurança a acção poderosa do seu clima, datando de trinta annos a primeira iniciativa benemerita: a construcção de uma casa de saúde, levantada pelos drs. Francisco Romeiro e Gustavo Godoy, ambos filhos de Pindamonhangaba. Foram esses dois clinicos, videntes de alevantados ideaes, que, primeiro, correram o véo daquelle abençoado e formoso recanto da terra brasileira."
Se a visão antiga de Campos do Jordão era ufanista podemos dizer que continua sendo nosso mal, pois de lá para cá viemos dando títulos a Campos do Jordão na ânsia de propagar suas qualidades. A chamamos de:
O Melhor Clima do Mundo;
Campos do Jordão, onde é sempre estação;
Campos do Jordão, a montanha magnífica (P. F. de Sá Campello);
Campos do Jordão, 1700 metros acima das preocupações (Campello);
Campos do Jordão, um pedaço de céu na Terra;
Campos do Jordão, mais perto do céu.
Campos do Jordão, o paraíso do frio tropical (Jacques Perroy).
Ainda citando Mário Ferraz:
"Nem o 'ouro branco', nem o 'ouro verde', com todo o seu valor, com todo o seu dinheiro podem dar, podem substituir o thesouro insuperavel que paira lá nos altos da Mantiqueira."
"O seio generoso da Natureza offerece veios mais preciosos, e, dentre elles, lá está, por entre os alterosos massiços da Serra - o ouro escarlate dos Campos do Jordão, dormitando ainda, quasi inaproveitado, sob a fronde das araucarias. Ouro sanguineo - o da saúde, o mais precioso de todos, que se transforma em globulos vermelhos, em torrentes estuantes de sangue, em fonte rubra de vida."
"Ide, pois, vós, cansados e enfarados das cidades, sedentos de paz e de bem-estar; ide, tambem, vós, soffredores e doentes, que ladeaes as fronteiras do desengano, - ide, todos, com fé e com o sorriso da esperança, que lá encontrareis, entre o céu azul e os valles verdejantes, o balsamo divino da resurreição!"

Fontes:

Mário Ferraz
Condelac Chaves
Pedro Paulo Filho
Walter M. N. B. Vasconcelos

Origem do Nome

Deve-se ao Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, as glebas pertencentes ao município que eram conhecidas pelo povo como "OS CAMPOS" e passaram, depois, a denominar-se " OS CAMPOS DO JORDÃO".

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