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PEDAGOGIA ON-LINE
Francisco Sodero Toledo
A
educação à distância caracteriza-se,
inicialmente, pela separação física entre
o real e o virtual, entre os estudantes e, entre os estudantes
e o professor. A ênfase é colocada no processo com
mediação pedagógica interativa, pois o aluno
não deve sentir-se só, isolado, e, na utilização
de diversas mídias de forma integrada, almejando a aprendizagem
colaborativa. A sua função básica é
a de suprir a não presencialidade, vencer as distâncias
geográficas, o isolamento, a solidão com uma ação
sistematizada e continuada.
Para tanto, torna-se necessário considerar três atividades
básicas: gestão, acompanhamento e comunicação.
Em decorrência, algumas questões passam a ser objeto
de estudos e análises especiais. Dentre elas, destacam-se:
- o desenho do curso: a ser realizado na fase do pensar, levando
em consideração todos os elementos de um planejamento
e de gestão do curso. Ou seja, prever todas as atividades
relacionadas com a organização e coordenação
das atividades com vistas a alcançar os objetivos traçados,
com eficiência e eficácia. Nesta fase devem ser analisadas
os aspectos essenciais da gestão pedagógica, dos
recursos humanos, financeiros, tecnológicos, administrativos
e adotar uma política de treinamento para as pessoas envolvidas.
-
O sistema de tutoria: decidir sobre perfil e o papel do tutor.
Daquele profissional que ficará encarregado de participar
da fase anterior ( não obrigatoriamente ) e atuar como
assessor, orientador, facilitador, moderador e animador durante
o desenrolar do curso. O nome dado poderá sofrer mudanças,
mas o essencial é que haja pessoas preparadas e dispostas
a ajudar os alunos e estimular o grupo a superar dificuldades,
estar atento aos aspectos cognitivos e afetivos dos membros da
comunidade virtual, promovendo a auto-estima e a auto-aprendizagem.
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A Integração de tecnologias: é preciso lembrar
que a EAD é um processo de comunicação mediada
por computador. Nela, as tecnologias constituem a maneira pela
qual nós entendemos como usar as ferramentas disponíveis.
Existe possibilidade de serem utilizadas recursos técnicos
dos mais simples e baratos até os processos mais sofisticados
como video-conferências. A melhor solução
está em escolher ferramentas que possam alcançar
o aluno onde quer que ele se encontre. Elas deverão ser
apropriadas para corresponder ao interesse e motivações
dos alunos e estar integradas para facilitar a interação
e a construção do conhecimento.
-
Cuidados com os fundamentos teóricos: A EAD é baseada
principalmente na linguagem, comunicação, na aprendizagem
colaborativa e na interação. As teorias pedagógicas
devem oferecer suporte teórico para este conjunto de nececessidades.
As mais adequadas serão aquelas que valorizem o aprendiz
como agente ativo no processo. Neste sentido são importantes
e largamente empregadas as idéais e as contribuições
de Paulo Freire, Vigotsky e as teorias construtivistas que enfocam
a autonomia do saber, a elaboração e a reelaboração
do conhecimento. Não menos importantes são as contribuições
daqueles que procuram decifrar os enigmas dos sistemas virtualizados,
como os escritos de Pierre Lèvy
-
O sistema de avaliação: A avaliação
é um dos elementos básico e complexo no processo
de ensino-aprendizagem, tanto no ensino presencial como no virtual.
O O grupo de estudos da UFBH, que trabalha com esta questão,
ligado à UNIRED, defende que a avaliação
deve ser processada de três formas: quando do projeto, para
garantir a relevância e qualidade; durante o processo, para
verificar o desempenho das atividades; e, do produto, com vistas
a avaliar os resultados finais do curso.
APRENDER E ENSINAR EM AMBIENTE VIRTUAL
No ensino à distância mediado por computador amplia-se
para três as possibilidades de comunicação
numa só mídia. A de um para muitos, de um para um
e, uma novidade em relação ao ensino tradicional:
a de muitos para muitos. Assim, via internet é possível
experimentar e aprender juntos com outros., interagindo com muitos,
independente do tempo e do lugar.
Este quadro exige o desenvolvimento de um novo modelo pedagógico.
Um modelo que tenha como fundamento o trabalho em grupo, a interação
em equipes reais ou virtuais, a integração de tecnologias,
onde o ensinar e aprender tornam-se uma só tarefa. Que
também considere o aluno como sujeito que saiba contribuir
para o aprendizado do grupo. E ainda seja capaz de colaborar mais
do que simplesmente laborar. Que seja, enfim, capaz de aprender
de forma colaborativa. Um modelo que consiga vislumbrar e facilitar
a atuação de um grupo virtual atuando em ambiente
virtual de forma participativa e colaborativa. Capaz de estimular
o desenvolvimento da inteligência coletiva do qrupo que
deseja por em funcionamento a combinação de competências
distribuídas entre seus integrantes mais do que a genealidade
de alguns. Uma inteligência, como quer Pierre Lèvy,
"distribuída por toda parte, incessantemente valorizada,
coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização
efetiva das competências" ( Levy,, 1998,p.28 )
As
turmas formadas para cada curso à distância constituem-se
em comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa. Os participantes
são considerados como agentes ativos que intencionalmente
procuram e constroem o conhecimento, formando um ambiente de aprendizagem
significativa. Neste novo ambiente os recursos mais atrativos
são os interativos que permitem colocar as pessoas em contato
uma com as outras. A sala de aula virtual é um endereço
lógico, uma sequência de caracteres que identifica
um conjunto de arquivos binários num disco de computador.
É nela que professores e alunos irão interagir,
ensinar e aprender, participar e colaborar. Nos novos "campus
virtuais" professores e estudantes partilham recursos materiais
e informacionais, aprendendo ao mesmo tempo e atualizando continuadamente
os seus saberes. Não se trata apenas de um novo meio no
qual o professor precisa aprender a se movimentar, mas de uma
nova proposta pedagógica que ele tem que ajudar a criar
com sua prática educacional. Neste campo, muito se tem
investido em hardware, conectividade e software especializados
para ead, via internet. Mas atualmente, é fundamental investir
em "peopleware", isto é, em recursos humanos.
Formar professores e alunos capazes de ensinar e aprender on-line,
para que se possa desenvolver EAD de qualidade.
O foco: o aluno e aprendizagem
Os cursos de ead transmitem informações, trabalham
com a construção do conhecimento e devem favorecer
a interação entre seus membros. O seu foco principal
está no aluno e no processo aprendizagem.
O planejamento deve deixar transparecer o estímulo ao processo
de obtenção do conhecimento e a comunicação
entre seus membros para que possam trocar informações,
buscar auxílio e prestar apoio mútuo. É preciso
prever a integração de tecnologias selecionadas
para poder viabilizar as colaborações que podem
ocorrer de forma assíncrona ( em tempo e espaço
diferentes ) e síncronas ( em tempo simultâneo).
Para estabelecer relações assíncrona pode
ser empregado o correio eletrônico, a lista de discussão,
quadro de avisos e new-group. Para estabelecer as relações
síncronas são empregados recursos complementares
de hardware e software, representados pelos software colaborativos
geradores de área de trabalho onde todos interagem sobre
o mesmo objeto, como conferências , chat que permitem a
troca de informações textuais, video-conferências
e teleconferências, possibilitando a utilização
de áudio e vídeo, entre outros recursos.
Para que um curso à distância tenha sucesso e atenda
às expectativas do grupo será necessário
haver interesse, disposição e uma boa dose de motivação
por parte de todos sobre o assunto enfocado. Também é
fundamental que o aluno saiba gerir bem o seu tempo e enfrentar
os desafios e as dificuldades surgidas com otimismo e disposição
de aprender. Entender que existe uma comunidade virtual de aprendizagem
que ele participa, onde deverá desenvolver o processo de
interação, animar as discussões provocadas
pelos colegas, manter o bom nível das mensagens e das intervenções,
sem deixar que a conversa fuja do foco e desenvolva a noção
de pertencimento àquele grupo. Por outro lado, junto a
postura ativa do aluno, exige-se a presença constante do
professor. O importante é que tudo ocorra sem a necessidade
de locomoção, no momento do tempo disponível,
dentro da programação do curso, sem grande desgaste,
potencializando o aprendizado.
Os principais atores
O ensino à distância exige, em todos os momentos,
um trabalho em equipe. Os seus atores, uns já bem conhecidos,
como professor e alunos, que se tornam companheiros de uma comunidade
de aprendizagem e outros como do tutor e, em alguns casos , do
animador da comunidade virtual.
O professor em ambiente virtual passa a ter o papel de animador
de uma comunidade virtual de aprendizagem, uma espécie
de especialista em animar coletividades inteligentes. Um colaborador,
com sua prática, na criação de uma nova proposta
pedagógica. Para tanto vai precisa saber mexer com o computador,
navegar na web, usar o e-mail, dominar conteúdos, técnicas
didáticas, ferramentas de interação e sobretudo
a capacidade de organização, coordenação
e de mobilização da comunidade de aprendizagem em
torno de sua própria aprendizagem. O professor passa a
ter o papel de companheiro, mediador, líder, animador,
orientador e condutor do processo educativo on-line.
O aluno nos cursos à distância deverá adotar
uma atitude ativa, tornando-se um sujeito ativo na construção
do conhecimento. Será fundamental deixar a postura passiva,
desenvolver novos hábitos, deixar de se ver como um receptor
no final de uma linha e passar a se ver como um nó de transmissão
numa teia de linhas de comunicação. Para isto ele
irá precisar de motivação, determinação,
responsabilidade e de capacidade de organização,
principalmente no que se refere ao seu tempo de estudos. Para
aprender a se desenvolver como aluno on-line terá também
que saber lidar com o computador, surfar na internet, usar correio
eletrônico, atender as demandas de novos ambientes de aprendizagem
e ser capaz de se perceber como parte de uma comunidade virtual
de aprendizagem colaborativa. Este tipo de aluno deve apresentar
algumas especificidades em seu perfil, tal como: interessado em
aprender, com foco em interesse determinado, entender e querer
aproveitar dos benefícios das novas tecnologias, comunicativo
e capaz de manter o diálogo com pessoas em torno de interesses
comuns e finalmente, ter facilidade para aprender, no tempo e
espaço disponível, sem grande desgaste, potencializando
seu próprio aprendizado e colaborando no aprendizado coletivo.
No
desenho e desenvolvimento dos cursos deve-se contar com a presença
de um ou mais tutores. Cabe a eles o acompanhamento do processo
de interação do grupo virtual. Tanto a interação
com o conteúdo, trabalhando com os aspectos cognitivos,
como a interpessoal, na área afetiva. Elas se completam,
facilitando o processo de ensino-aprendizagem e tornam o curso
mais atraente. A dimensão de sua atuação
passa pelas atividades de oferecer sugestões e contribuições
fidedignas, orientar o uso do material didático, ajudar
todos a superarem dificuldades, motivar os alunos, estimulando
a sua auto-estima e a auto-aprendizagem. Diante desta dimensão
de atividades, se apresentam a características fundamentais
para os tutores, que definem o perfil desejado para este profissional:
o assessor, orientador, facilitador e de um ser humano capaz de
manter o diálogo produtivo entre as partes, mantendo o
interesse permanente e a colaboração efetiva na
construção de conhecimentos.
Todos
os atores fazem parte de um roteiro que visa fazer com que os
aprendizes adquiram conhecimentos e o domínio sobre o processo
de construção de seu próprio saber e assim
vão se capacitando para o trabalho profissional. Forma
eficiente de agregar valores para atuar no mundo globalizado.
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