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TEXTO
E CONTEXTO DA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
Francisco Sodero Toledo
A
educação à distância é o nosso
foco de interesse. Vamos, de início, situar a questão.
Passemos do adjetivo para o substantivo. A educação
estará no centro de nossas reflexões. Todos os textos
referentes às várias formas de educação
deverão ser vistos e analisados a partir deste contexto.
A educação à distância não é
nada de tão novo. A sua origem estaria ligada aos tempos
bíblicos. As cartas de São Paulo apóstolo
constituíram uma forma expressiva e eficiente de comunicação
à distância. Durante o século passado registra-se
a presença de três gerações de tecnologias:
a da impressão e correspondência; de áudio
e vídeo e com o uso das TEC's e de NET's. Cada geração
foi construída a partir de outra, ao invés de substituí-la.
Atualmente a EAD deve ser vista dentro deste cenário principal:
da globalização e de tecnologia. Estamos vivenciando
um processo de gestação de uma civilização
global, transnacional, alimentada pela exposição
à tecnologia e pelas mesmas fontes de informação.
O mundo torna-se menor. Caminha-se para uma aldeia global.
As mudanças são rápidas, profundas e silenciosas.
Elas assinalam descontinuidades e o aparecimento de novos paradigmas.
A educação não fica imune às novas
condições sociais. O processo de globalização
aponta para novas possibilidades de estar no mundo e para novas
formas de ensinar e aprender.
O modelo hegemônico de construção de saber
está fundamentado em teorias de ensino aprendizagem copiadas
num modelo intelectual que dá sinais de estar ultrapassado,
embora continue persistindo no cotidiano da maioria das escolas.
Sob o novo paradigma a educação passa a ser vista
como um diálogo aberto onde a aprendizagem ocorre mediante
processos reflexivos construídos por meio do diálogo
que os alunos mantém consigo mesmo e com os outros atores
do processo. A educação passa a ser vista como um
todo.
Neste
sentido, ao educador cabe o desafio de garantir o movimento, o
fluxo de energia, a riqueza do processo. Isso significa a manutenção
do diálogo permanente voltado para o " indivíduo
coletivo", que reconhece a importância do outro, a
existência de processos coletivos de construção
do saber e a relevância de se criar ambientes de aprendizagem
que favoreçam o desenvolvimento do conhecimento interdisciplinar,
da intuição e da criatividade. As pessoas envolvidas
são vista como um todo, constituídas de corpo, mente,
sentimento e espírito. Dotados de dimensão social
que os leva a buscar o auto-conhecimento, a auto-compreensão
e a natureza dos outros.
Ao processo educativo corresponde a tarefa de fornecer a consciência
da realidade de um mundo complexo, agitado, e, ao mesmo tempo,
fornecer a bússola que permita navegar por ele. A UNESCO,
neste sentido, recomenda a adoção dos 4 pilares
para a educação, neste alvorecer do século
XXI, que correspondem à quatro aprendizagem fundamentais:
-
Aprender a conhecer: isto é, adquirir os instrumentos de
compreensão, para aprender a aprender e assim poder se
beneficiar das oportunidades existentes.
-
Aprender a fazer: para poder agir sobre o meio envolvente, com
competências que torne uma pessoa mais apta a enfrentar
numerosas situações e trabalhar em equipe.
-
Aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com outros,
em todas as atividades humanas; envolvendo a compreensão
do outro, a percepção das diferenças e interdependências,
convivendo na tolerância, com solidariedade.
-
Aprender a ser, integrando as três precedentes, contribuindo
para o desenvolvimento total da pessoa; corpo, mente e sensibilidade,
sentido estético, responsabilidade e espiritualidade. A
educadora Maria Cândida Moraes, sintetiza esta nova abordagem
quando trata da missão da educação em sua
obra Paradigma Educacional Emergente. Defende a idéia de
educar para a cidadania global, assim se expressando:
"Educar para a cidadania global significa formar seres capazes
de conviver, comunicar e dialogar num mundo interativo e interdependente
utilizando os instrumentos da cultura. Significa preparar o indivíduo
para ser contemporâneo de si mesmo, membro de uma cultura
planetária e, ao mesmo tempo, comunitária, próxima,
que, além de exigir sua instrumentação técnica
para comunicação a longa distância, requer
também o desenvolvimento de uma consciência de fraternidade,
de solidariedade e a compreensão de que a evolução
é individual e, ao mesmo tempo coletiva. Significa prepará-lo
para compreender que, acima do individual, deverá sempre
prevalecer o coletivo." ( Moraes, 1997,225)
Portanto,
o ato de acessar a internet para participar de cursos de educação
à distância levam as pessoas a vivenciar e compreender
melhor estas dimensões. A experimentar novas possibilidades
de ensinar e aprender e uma nova filosofia de trabalho e de vida,
uma nova visão de futuro inserido na globalidade na qual
estamos envolvidos. Isto requer uma nova ética, uma nova
consciência individual, social e planetária. Educar
para uma cidadania global "é ensinar a viver na mudança
e não querer controlá-la." ( Moraes, 1997,
225)
Novas Perspectivas Educacionais
A globalização aponta para a construção
de uma nova civilização. Traz novas perspectivas
educacionais para o início deste novo século.
Estamos no alvorecer da sociedade do conhecimento. Um expressão
que vem sendo utilizada para sintetizar o crescente papel da ciência,
da tecnologia, dos meios de comunicação social na
busca da prosperidade econômica em particular e da melhoria
da qualidade de vida em geral. É preciso desenvolver competências
para gerar riquezas dentro deste contexto: produzir e reproduzir
conhecimentos. O conhecimento torna-se fundamental. Uma nova fonte
de riqueza coletada e aplicada por muitos, ao mesmo tempo. Se
usada com inteligência pode gerar ainda mais conhecimentos.
Ela é inexaurível e não exclusivo.
Neste
novo cenário cresce a importância dos profissionais
do conhecimento, da educação formal continuada,
de processos internos e externos das escolas, as quais deixam
de obter o monopólio do saber e da formação
profissional. As novas tecnologias de informação
e de comunicação ( TIC's) e as novas tecnologias
educacionais (NET's) passam a ser utilizadas com maior frequência
e segurança.
As transformações sociais trazem novos desafios
à sociedade e ao setor educacional. Aumenta a pressão
do setor econômico sobre a educação. Pois
cresce a necessidade de formação de quadros próprios
e desenvolvimento de treinamentos constantes nas organizações
empresariais. Algumas estão criando seus cursos para atender
sua clientela e interesses específicos.
Cresce também a demanda por cursos de todos o níveis
e a necessidade de ampliar o número de incluídos
no sistema educacional. Investir em educação para
desenvolver o conceito de cidadania, procurando garantir o aperfeiçoamento
do sistema democrático e sobretudo reverter o pernicioso
processo de exclusão social, fundamentos para justiça
e para a paz. No ensino superior o crescimento da demanda tem
se apresentado superior ao da oferta. A abertura de novos cursos
e a ampliação do número de vagas vem ocorrendo,
em maior proporção, nas universidades e faculdades
particulares que passam a enfrentar um novo e sério problema,
a inadimplência de seus alunos. Torna-se necessário
encontrar soluções para este problema. Para muitos,
uma política educacional favorável ao desenvolvimento
da EAD poderá trazer grandes benefícios ao setor.
Do presencial ao não presencial
Neste cenário de globalização, de tecnologia,
de mudanças do paradigma educacional pode-se prever que
o sistema educacional do século XXI será independente
no que diz respeito à distância.
Vai se tornando imprescindível que as instituições
de ensino e educadores reconheçam e se preparem para para
transformar os desafios em oportunidades que deverão revolucionar
o setor educacional. Uma tarefa complexa que vem sendo enfrentada
com coragem e criatividade pelas instituições de
ensino por iniciativas de muitos educadores.
Vejamos o exemplo das universidades brasileiras. Nestes últimos
anos elas vem direcionando seus esforços para um trabalho
em conjunto, procurando organizar, congregar pessoas para se integrar,
participar e cooperar na educação à distância.
Formaram as atuais redes:
- UNIRED - Universidade Virtual Pública do Brasil, constituída
por 79 instituições públicas;
- UVB - Universidade Virtual do Brasil, formada por instituições
privadas;
- RICESU - Rede Integrada Católica de Ensino Superior à
Distância, formada por instituições católicas;
- CEDERJ - Centro de Educação Superior à
Distância, do Estado do Rio de Janeiro.
Estas
redes passaram a ser o grande referencial para a educação
à distância. Elas compartilham e oferecem novos espaços
de aprendizagem, empregando as tic's e as net's, possibilitam
a comunicação, a participação em ambientes
de aprendizagem e da educação continuada. Elas trabalham
formando equipes, compartilhando infra-estrutura, atuam como grupo
integrado, buscam a melhoria da qualidade de processos e de serviços,
geram novos cursos e estimulam a pesquisa.
Diante deste quadro fica evidenciado o grande impulso que a educação
à distância está tomando no país. Dados
do MEC revelam que em 1997 existia apenas um curso de licenciatura
credenciado no Brasil. Hoje, eles somam 54 cursos credenciados,
dos quais 23 (42,5% ) foram credenciados no primeiro trimestre
de 2002. Cresce também o número de alunos matriculados.
O MEC registra 50.000 matrículas nos cursos credenciados
de formação docente para o magistério de
1a. a 4a. séries, magistério e nas diversas licenciaturas.
A previsão é de que chegue a 70 mil matriculados
até o final do ano. A ABED ( Associação Brasileira
de Educação à Distância) calcula em
1 milhão o número de pessoas que estão fazendo
cursos à distância em todo o país.
Com
toda esta expansão espera-se que ocorra a ampliação
da oferta de vagas, haja um enriquecimento do ensino presencial
e permita a certificação de competências.
Espera-se a ampliação do número de páginas
organizadas e disponíveis na web, para facilitar o acesso
e estimular a aprendizagem ao longo da vida, de forma atraente
e com custos menores.
Diante deste quadro o que podemos prever para o futuro próximo?
A perspectiva é de que a EAD não irá substituir
mas que deverá invadir o ensino presencial. Assim, nesta
década deverá ocorrer uma retração
do ensino exclusivamente presencial em favor do semi-presencial.
A expansão da EAD irá permitir e dar suporte à
mudanças significativas no campo da educação.
Portanto, quando se fala em capacitar professores para desenvolver
e incentivar esta modalidade de cursos, a aprendizagem colaborativa,
em comunidades virtuais, está se pensando em prepará-los
tanto para a atividades on-line quanto para o sistema presencial
e semi-presencial.

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