As novas relações do trabalho

Especial - Futuro do trabalho e Ócio Criativo

Fonte: http://www.infonet.com.br/qualidade/Ed_04/livros.htm

O Futuro do Trabalho
O Professor Domenico de Masi nasceu em 1938, em Rotello, na Itália. É o titular da cadeira de Sociologia do trabalho na Universidade de Roma, chamada "La Sapienza". Fundou a S3 Stadium, uma organização de pesquisa voltadas às ciências organizacionais.
Seu longo currículo deixa claro que o professor não é um preguiçoso: talvez por isso possa defender tão aguerridamente o ócio. Também não teme contrapor-se ao senso comum. Suas idéias são expressas sempre de maneira desafiadora, mas de forma bem-humorada e solidamente ancoradas em uma erudição que ele toma o cuidado de não deixar parecer pedante.
Só a qualidade do seu texto e a argúcia com que polemiza já recomendam sua obra. Lendo-o, você corre o risco de não conseguir mais soltar o livro das mãos. Mas além disso o Professor enfrenta temas complexos acerca da sociedade contemporânea, e propõe uma fascinante visão de mundo repleta de otimismo e fé na humanidade.

Em "O Futuro do Trabalho" a moderna sociedade pós-industrial é inicialmente condenada por "oito peças de acusação". São "as dificuldades do trabalho", as mesmas que levam Oscar Wilde a dizer que "as pessoas são tão trabalhadoras que ficam estúpidas". As organizações produtivas que conhecemos "fabricam infelizes porque constrangem seus dependentes a serem eficientes e competitivos a todo custo". A segunda acusação: as organizações são feias: "tudo em série, tudo padronizado, tudo masculino, tudo despersonalizado". Sedes empresariais "de cimento e vidro, nuas e modulares como penitenciárias desenhadas para a vigilância e a punição".
Se está a parecer que esta rigorosa condenação das organizações contemporâneas produz um quadro pessimista, saiba que a visão do Prof. De Masi é exatamente oposta: após confrontar as condições gerais do trabalho e da vida nas sociedades pré-industriais, industriais e pós-industriais, o que sobra é uma recomendação do que fazer para uma vida melhor, regida por uma ética e uma estética que o sociólogo adivinha estar se formando sob a nova ordem mundial.
O programa necessário para o novo passo já está delineado na última parte da obra do Professor De Masi, e pode ser resumida na seqüência: trabalhar de modo solidário; trabalhar em qualquer parte (com uma interessante discussão sobre o teletrabalho); trabalhar menos: aprender a ficar ocioso. Um ócio porém, como na visão grega, que permite a filosofia, a contemplação estética, a felicidade. E deixemos trabalhar os computadores e os robôs, mas aptos a isso que nós humanos, originalmente destinados à felicidade e desviados da nossa real vocação por tantos séculos, pela maldição do trabalho como castigo de que agora podemos finalmente escapar.

Por José de Oliveira Júnior

O Ócio Criativo

O Ócio Criativo, apesar de lançado recentemente no Brasil reedita uma série de entrevistas do professor De Masi publicada inicialmente em 1995 mas revigorada posteriormente com acréscimos e revisões. Um aspecto importante desse livro é que De Masi comenta as suas fontes de influência e de certa forma propõe alguma organização aos vários estudos sobre o trabalho nas sociedades pós-industriais, comentando autores como Touraine, Daniel Bell, Toffler, etc. O clima de entrevista torna a obra de fácil leitura.
Para mais informações sobre a obra de De Masi, você pode recorrer também à edição inicial do site Qualidade, onde foi abordado o livro "A Emoção e a Regra", que complementa com esses dois títulos uma trilogia bastante relevante para a compreensão da obra do sociólogo italiano. Clique Aqui.

Por José de Oliveira Júnior

 



 


 
   
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