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A FORMAÇÃO DO EDUCADOR PARA EaD
F.
Sodero Toledo*
Recentes
pronunciamentos das autoridades educacionais do país apontam
a educação a distância como prioridade do
Ministério de Educação para os próximos
anos. Governo e profissionais da área estão cientes
de que as conquistas almejadas no século XX, como a universilização
da educação básica, a habilitação
e a formação inicial para o exercício de
uma determinada profissão não seriam mais suficientes
para atender às exigências do mercado de trabalho
da sociedade futura. Para se evitar a desqualificação
da força de trabalho e a exclusão social deverá
prevalecer a preocupação com a educação
ao longo da vida, a formação profissional atualizada,
diversificada e acessível a maioria da população.
Assim, as autoridades governamentais, colocam como meta triplicar,
em 4 anos, utilizando-se da EaD, o número de estudantes
universitários brasileiros.
Esta perspetiva implica em preparar pessoal, sobretudo professores,
adequado às exigências deste novo contexto. As mudanças
nas características, estrutura e dinâmicas próprias
desta nova modalidade de ensino-aprendizagem acarretam transformações
nas funções do professor. Ele deixa de ser a fonte
principal, transmissor do conhecimento, para passar a desempenhar
outras funções no sentido de estimular e orientar
os estudantes no trato das informações, na produção
de novos conhecimentos, habilitando-os no manuseio de novas tecnologias
de informação e de comunicação. Mudanças
que não ocorrerão sem dificuldades. Pois os professores,
formados e engajados no modelo presencial, tendem a encarar com
desconfiança e resistência a introdução
de inovações tecnológicas em suas práticas
didáticas. Em trabalhar em equipe, partilhando suas responsabilidades
com outros colegas e ainda com outros profissionais de outras
áreas. A ter que adaptar os conteúdos curriculares,
tornando-os mais flexíveis, para atender a demanda da clientela
e sobretudo começar a " sair de foco", ou seja,
deixar de ser o centro das atenções e de da direção
das atividades didáticas. Os professores, em especial os
que atuam nas universidades, passam a ser responsáveis
por todas as etapas de seus cursos. Não apenas pelo planejamento
e design como também pela produção, distribuição,
avaliação e pelo acompanhamento continuado do curso.
De cada um já não se espera apenas conhecimento
especializado, mas sim, competência ampla e variada.
O esforço para formar educadores para atuar em EaD requer
a criação de condições para que as
pessoas se preparem para o exercício desta nova forma de
ensinar e aprender. Mais importante ainda é a de que os
futuros educadores desenvolvam uma postura pedagógica fundamentadas
em atitudes necessárias ao perfil deste novo profissional.
Que , na prática, venha a ser o mediador do ensino, capaz
de levar o aprendiz em se transformar em agente da sua própria
aprendizagem. Seja um estrategista da aprendizagem, dominando
as teorias psico-pedagógicas para poder saber como o aluno
aprende e assim poder criar estratégias adequadas para
o desenho de cada curso. Trabalhe como facilitador da aprendizagem,
capaz de criar condições nas quais os alunos, vistos
como sujeitos do processo educativo, possam organizar seus estudos,
fortalecer a autonomia e a auto-atividade, por meio do diálogo,
da interação, da comunicação, com
conteúdos e valores que tenham relação com
a vida e com o mundo do trabalho. Procure eliminar a relação
hierárquica entre docentes e discentes, tendo uma relação
de parceria, aproximando-se de todos os atores envolvidos no trabalho
em equipe, ou até mesmo em redes de relações
horizontais.
Enfim, deve-se com urgência procurar formar o educador dentro
de um novo
paradigma moldado no processo de globalização, alimentado
pelo avanço científico, revolucionado pela tecnologia
digital. Pouco importará o nome que venha ser atribuído
a este novo profissional, como o de tutor, mediador, instructional
design. Mas o importante será que tenha a mente voltada
para a progressiva orientação das ações
educativas na direção dos interesses e necessidades
do maior número de estudantes, ao longo de toda a vida.
O que reduz a validade dos modelos educacionais existentes e aponta
para outros caminhos, o da educação na era pós-industrial.
Este novo momento será gestado com base nas mais recentes
teorias aplicadas a educação e, sobretudo, com a
própria prática docente.
*Francisco Sodero Toledo, historiador, consultor em EaD e gerente
do portal www.valedoparaiba.com, onde mantém um Centro
de Educação Continuada on-line.
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