Três
pilares da cidadania
Patrícia Lânes
Fonte:
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase)
http://www.ibase.br/pubibase/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=416&sid=112
Se estamos caminhando em busca da cidadania, é preciso
repensar de que ela é feita e quais são os
melhores caminhos para conquistá-la. Em recente palestra
no ciclo Nova Cidadania (promovido pela Escola de Magistratura
do Estado do Rio de Janeiro – Emerj), o historiador
José Murilo de Carvalho lembrou que a cidadania é
construída sobre três pilares: liberdade, igualdade
e participação. Se nas últimas décadas
avançamos no que diz respeito à liberdade,
buscando conquistar cada vez mais espaços de participação,
a igualdade permanece como um sonho distante.
As redes que se constituem no espaço urbano comprometidas
com a radicalização da democracia não
podem se furtar de lidar com as desigualdades que perpassam
as relações que as envolvem. As diferenças
estéticas e culturais que aparecem nos muitos grupos
artísticos e projetos sociais que dela fazem parte
expõem as diversas realidades a partir das quais
se produzem. Realidades marcadas pela distribuição
desigual de direitos.
Não queremos negar a diversidade, ao contrário,
buscamos estimular as diversas formas de participação,
buscando um diálogo polifônico capaz de colocar
em contato diferenças. No entanto, é preciso
problematizar a questão e colocar o dedo na ferida
da desigualdades, que permanece aberta.
No próximo dia 23, acontece o III Encontro da Rede
Jovens em Movimento. A juventude e educadores estarão
reunidos para responder a uma questão nada fácil:
“Jovens, quais são os seus direitos?”.
O encontro acontece no Ciep Ulisses Guimarães, em
Sepetiba. A primeira parte será destinada a oficinas
(oferecidas por jovens e educadores de grupos e instituições
que vêm participando da articulação)
que têm como objetivo debater os direitos da juventude
através de várias linguagens (teatro, hip
hop, artes plásticas, cinema etc). À tarde,
os grupos que participarem das oficinas pela manhã
se reunirão para apresentar o resultado de seus trabalhos,
abrindo caminho para um grande debate sobre o tema. Pretende-se,
também, definir o tema, o local e a data do próximo
encontro. O evento termina com a apresentação
de grupos culturais da Zona Oeste.
Temos consciência de que nossa ação
é o início de um processo que começa
a se tornar uma bandeira comum: a luta pelos mesmos direitos
para todos(as) os(as) jovens da cidade, sem deixar de lado
especificidades e valorizando a diversidade. Nossa opção
é por um método que exponha a diversidade,
mas também as desigualdades que fazem parte de nossa
realidade.
Nossos encontros são itinerantes e estão ocupando
espaços da cidade que ficam fora da rota dos direitos.
Como um dos jovens falou em uma de nossas reuniões
preparatórias, “vamos falar é que a
gente não tem direito”. Não temos a
pretensão de esgotar as respostas em apenas um dia
de debate, no entanto, queremos levantar o desafio de construir
uma pauta comum em torno dos direitos da juventude que nos
permita, futuramente, lutar juntos por políticas
públicas universais capazes de garanti-los.
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*Jornalista e pesquisadora do programa Participação
e desenvolvimento local sustentável
III Encontro da Rede Jovens em Movimento
Quando: 23/08/2003, às 8:30
Onde: Ciep Ulisses Guimarães, em Sepetiba
Rua José Fernandes, s/nº - Sepetiba
Mais informações:
Patrícia Lânes - Ibase (2509-0660)
Julia ou Iara - Camtra ( 2544-0808)
Adriano ou Fransérgio - Cedaps (3852-0080)
Lucas Hippolito - Comitê Jovem FSM/RJ (9412-7520) |