Cidadania

A transformação social na sociedade em rede

Manuel Castells

Fonte: http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/poderdaidentidade/conc.htm

Surge às portas da Era da informação uma crise de legitimidade que esvazia de sentido e de função as instituições da era industrial. O Estado perde suas bases políticas, desorganizando as bases da democracia liberal dos últimos dois séculos.
As identidades legitimadoras secaram, dando espaço para a difusão das identidades de resistência na sociedade em rede, mas por serem individualizadas, acabam não sendo muito bem-vindas, fazendo com que as duas existam, mas não coexistam pacificamente, pois são mutuamente exclusivas.
Isso faz com que apareçam as identidades de projeto como principal potencial de reestruturar o Estado, sendo desenvolvidas a partir das atuais identidades de resistência, mas nem sempre isso acontece, podendo apenas a comunidade permanecer na condição defensiva.
Por todos os modos de identidade, vemos que a lógica dominante na sociedade em rede lança seus próprios desafios, tanto como identidades de resistência quanto como de projetos, e o poder dentro dessa estrutura social está agora difundido na sociedade em rede, mas ele não desaparece.
Os sujeitos principais da Era da informação são os movimentos sociais que surgem a partir da resistência comunal a globalização, reestruturação do capitalismo, formação de redes organizacionais, informacionlismo desenfreado e patriarquismo, agindo de forma a transformas códigos culturais. Os agentes que dão voz a esses projetos de identidade devem ser mobilizadores de símbolos. Verifica-se a existência de dois principais agentes: o Profeta, personalidade simbólica que tem o papel de falar pelos rebeldes, que assim tem uma chance de vencer e das à sua identidade parte nas lutas simbólicas. O outro o principal agente é "uma forma de organização e intervenção descentralizada e integrada em rede", característica dos novos movimentos sociais.
Pelo fato de termos uma visão histórica de mudanças sociais meio fechada, nos perdemos com as mudanças simbólicas processadas por redes multiformes. É nesses "recônditos da sociedade", em redes múltiplas, que se nota a geração de uma nova sociedade, "germinada nos campos da história pelo poder da identidade".

 



 


 
   
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