Cidadania

A política informacional e a crise da democracia
Manuel Castells

Fonte: http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/poderdaidentidade/cap6.htm

Introdução: a política da sociedade
Atualmente, as indefinições do estado, incluindo ausência de um centro de poder, dilui o controle social e a política. O avanço do comunalismo fraqueja o princípio democrático.
As transformações da sociedade em rede cabem-se principalmente a essa falta de força entre o estado e a sociedade, acrescentando-se também as novas tecnologias de informação nas discussões políticas e busca do poder. Na maioria das vezes a mídia é responsável por isso, mas não é sempre, pois suas relações com a política são diversas e dependem do caso em questão. Contudo, a lógica e organização da mídia eletrônica enquadram e estruturam a política, uma das principais fontes de crise da democracia na Era da Informação.

A mídia como espaço para a política na era da informação
A mídia e a política: a conexão dos cidadãos
Sem a presença ativa da mídia, as propostas políticas não têm chance de conseguir uma base de apoio, mostrando que ela está inserida na lógica dos meios de informação, especialmente a eletrônica, e como os cidadãos hoje em dia tiram suas opiniões políticas abalizadas principalmente pelo intermédio da mídia, representada por grupos cada vez mais globalmente interconectados e voltada para mercados segmentados e muito dependente da publicidade conseguida de acordo com a audiência, os partidos políticos se usam dela para expor seus argumentos.

A política informacional em ação: a política do escândalo
Ultimamente, sistemas políticos foram abalados, pois seus líderes tiveram a imagem destruída por escândalos. Partidos políticos sólidos, em alguns casos, chegaram a entrar em colapso levando seu regime político junto.
Em alguns casos, o escândalo ataca a moral de um líder, mas na maioria a questão é de corrupção política, mas em alguns países os escândalos morais se tornam até mais relevantes que os de corrupção política (Reino Unido, por exemplo).
Essa forma de escândalos tem sido, de maneira geral, inserida na mídia, tornando-a muito poderosa. Esses escândalos geram inquérito parlamentar ou judicial, dos quais juízes, promotores e inquisidores acabam se tornando heróis protegidos pela mídia, que ganha sua audiência. Eles também apóiam essa mídia, e juntos arrebatam o poder do processo político e disseminando na sociedade, formando uma espécie de relação de simbiose.
"Na política de escândalos, como também em outros domínios da sociedade em rede, o poder dos fluxos supera os fluxos de poder."

A crise da democracia
Toda a argumentação apresentada até agora referente a transformação política e social nos Estados-nação, revelam, com perspectivas históricas, a crise da democracia como a do século passado.
O Estado, incapaz de cumprir seus compromissos, principalmente os de bem-estar social, junto com a "(re)construção de significados políticos baseados em identidades específicas em rejeição ao atual sistema", somando com os escândalos de qualquer natureza mais uma influência da mídia local, criam uma falta de credibilidade do sistema político e por conseqüência uma crise de legitimidade do Estado-nação, desmantelando o atual governo e fazendo com que o atual partido político no poder acabe enfraquecendo e perdendo sua posição, chegando até a quebrar alguns tradicionalismos.
Uma conseqüência que surge é a crescente fragmentação do sistema político. As pessoas sabem disso e pensando coletivamente, evitam que tiranos ocupem o lugar da democracia.

Conclusão: a reconstrução da democracia?
Apresento alternativas para a reconstrução da democracia, independentes de opiniões pessoais (do autor).
Uma delas é a recriação do Estado local, passando governos regionais e locais a atuar em conjunto pela descentralização nas comunidades e a participação dos cidadãos. Outra é a oportunidade oferecida pela comunicação eletrônica de aprimorar formas de participação política e comunicação horizontal entre os cidadãos, debatendo e discutindo sobre melhores formas de política.
O objetivo das mobilizações gerais é atuar no processo político por mobilizações, que recuperam a legitimidade do interesse pelas questões públicas, introduzindo novos processos e questões políticas, agravando a crise da democracia liberal e estimulando o surgimento da democracia informacional.

 



 


 
   
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