A
outra face da Terra: movimentos sociais contra a nova ordem
global
Manuel Castells
Fonte:
http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/poderdaidentidade/cap2.htm
Seu
problema é o mesmo que o de muita gente. Está
relacionado à doutrina socioeconômica conhecida
como "neoliberalismo". Trata-se de um problema
metateórico. É o que lhe digo. Você
parte da premissa de que o "neoliberalismo" é
uma doutrina. E tomando você como exemplo refiro-me
a todos aqueles que acreditam em esquemas tão rígidos
e quadrados como suas cabeças. Você acha que
o "neoliberalismo é uma doutrina capitalista
criada para enfrentar crises econômicas que o capitalismo
atribui ao "populismo". Bem, na verdade o "neoclassicismo"
não é uma teoria para explicar ou enfrentar
crises. Ao invés disso, é a própria
crise, transformada em teoria e doutrina econômica!
Isso quer dizer que o "neoliberalismo" não
tem a mínima coerência, muito menos planos
ou perspectivas históricas. Em outras palavras, é
pura baboseira teórica.
Durito*, conversando com o subcomandante
Marcos na Floresta de Lacandon, 1994.
*Durito é um personagem das histórias do subcomandante
Marcos, o porta-voz dos zapatistas. Ele é um besouro
muito inteligente: na verdade trata-se do conselheiro intelectual
de Marcos.
Globalização, informacionalização
e movimentos sociais
Nosso mundo, tal qual o conhecemos, está sendo transformado
através da globalização e da informacionalização,
determinadas pelas redes de riqueza, tecnologia e poder.
Isso, sem dúvida, possibilita a melhoria de nossa
capacidade produtiva, criatividade cultural e potencial
de comunicação, mas, por outro lado, está
privando as sociedades de direitos políticos e privilégios.
Ou seja, à medida que as instituições
do Estado e as organizações da sociedade civil
fundamentam-se na cultura, história e geografia,
a repentina aceleração no tempo histórico,
aliada à abstração do poder em uma
rede de computadores, vem desintegrando os mecanismos atuais
de controle social e de representação política.
À exceção de uma elite reduzida de
globopalitanos (meio seres humanos, meio fluxos), as pessoas
em todo o mundo se ressentem da perda de controle sobre
suas próprias vidas, seu meio, seus empregos, suas
economias, seus governos, seus países e, em última
análise, sobre o destino do planeta.
É nesse contexto que se insere uma antiga lei da
evolução social, segundo a qual a resistência
enfrenta a dominação, a delegação
de poderes reage contra a falta de poder e projetos alternativos
contestam a lógica inerente à nova ordem global.
Seguindo essa onda de reações e mobilizações
não podemos deixar de notar, e analisar, três
movimentos que se opõem explicitamente à nova
ordem global dos anos 90, nascidos a partir de contextos
culturais, econômicos e institucionais extremamente
diferentes, e veiculados por ideologias profundamente contrastantes:
os zapatistas em Chipas, México; as milícias
norte-americanas; e a Aum Shirikyo (Verdade Suprema), uma
seita japonesa apocalíptica.
O significado das insurreições contra a nova
ordem global

Conclusão: o desafio da globalização
Apesar das enormes diferenças dos movimentos sociais
e das manifestações sob diversas formas, todos
eles têm em comum a contestação dos
atuais processos de globalização em prol de
suas identidades construídas, mostrando-se grandes
ameaças à globalização.
|