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As
12 perguntas mais freqüentes de quem quer fazer um
plano de previdência privada e suas respostas
Por
Kei Marcos Tanaami
Fonte:
http://portalexame.abril.com.br/pgMain.jhtml?ch=ch12&sc=sc1201&pg=pgart_1201_130803_56133.html
A
Reforma da Previdência, recentemente aprovada em primeira
votação no Congresso Nacional, chamou a atenção
de muita gente para a necessidade de poupar para o futuro.
Se esse é o seu caso, mantenha a calma. Não
precisa ficar afobado para fazer seu plano de previdência,
como se fosse aproveitar uma liquidação de
inverno. A indústria de seguros está se sofisticando
e oferece cada vez mais opções ao consumidor.
Basta ver a relação de 148 fundos de previdência
a partir da página 100. É preciso uma análise
criteriosa para fechar um negócio cujos resultados
serão obtidos daqui a 20 ou 30 anos. Veja a seguir
as dúvidas mais freqüentes sobre previdência
e como resolvê-las:
1.
O que é melhor, plano de previdência ou fundo
de investimento?
No longo prazo, o plano de previdência rende mais
para quem aproveita seus benefícios fiscais. No curto
prazo, o fundo de investimento costuma ser vantajoso por
cobrar taxas mais baixas. Quem deposita mensalmente 1 000
reais num fundo de investimento que renda 1% ao mês
pode ter, em 20 anos, 655 000 reais já descontado
o imposto de renda. Num PGBL, a mesma pessoa pode chegar
a 724 000 reais líquidos, desde que reaplique seu
benefício fiscal. A diferença, 69 000 reais,
já paga a faculdade de um filho.
2.
Quanto é preciso poupar?
Os especialistas afirmam que um aposentado necessita de
60% a 70% de seu último salário para manter
seu padrão de vida. Por exemplo, quem ganhava 20
000 reais por mês precisaria de renda de 12 000 reais.
Diminua desse valor a aposentadoria oficial de 2 400 reais
prevista no projeto de reforma do governo, e o resultado
será de 9 600 reais por mês. Numa seguradora,
o cliente precisaria juntar 1,8 milhão de reais para
obter essa renda vitalícia. Veja mais adiante, na
pergunta 11, se isso faz sentido.
3.
Qual é a idade de começar?
O ideal é dedicar uma fatia do salário à
aposentadoria desde cedo. Mas, na prática, uma pessoa
mais jovem pode ter outras prioridades, como investir na
própria formação ou viver um tempo
no exterior. Essas experiências são válidas
e podem até resultar em maiores ganhos financeiros
mais tarde. Por isso, no mundo real, 30 anos é uma
idade boa para começar. As contribuições
devem ser reforçadas a partir dos 40 anos. Você
ainda terá uns bons anos para poupar dinheiro antes
de se aposentar.
4.
Qual o melhor plano?
Primeiro verifique sua situação fiscal. Se
você é assalariado e paga imposto de renda
no formulário completo, o plano mais eficiente é
o que dá direito ao abatimento do imposto, como o
Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL). O Fundo
de Acumulação Privada Individual (Fapi) também
é uma alternativa, mas costuma ser mais caro. Se
você paga imposto no formulário simplificado
ou é autônomo, opte pelo Vida Gerador de Benefícios
Livres (VGBL). Esse plano também é adequado
a quem ultrapassa o limite de abatimento permitido pelo
PGBL (12% da renda bruta anual) e quer poupar um pouco mais.
O segundo critério de escolha é seu perfil
de tolerância a riscos. Há planos mais agressivos,
que buscam rentabilidade maior investindo em ações
ou dólares. Pessoas mais jovens terão mais
tempo para esperar esse tipo de fundo dar resultados --
ou para recuperar-se de eventuais perdas. Os mais velhos
devem ficar em fundos mais conservadores, de renda fixa.
5.
O plano de previdência é isento de imposto
de renda?
Não. Você pode adiar o pagamento (o nome técnico
é diferimento fiscal), mas terá de pagá-lo
quando sacar o dinheiro. Tudo o que você deposita
num PGBL no ano dá direito a abatimento até
o limite de 12% da renda bruta na hora de calcular seu imposto.
No entanto, na hora de resgatar você terá de
pagar sobre o total pela tabela progressiva (hoje a alíquota
máxima é 27,5%). O VGBL não dá
direito ao abatimento, mas, no resgate, somente será
tributado o rendimento, não o principal. Se você
fizer retiradas mensais até o limite de isenção,
1 058 reais, não terá recolhimento na fonte,
mas será obrigado a declarar no ajuste anual.
6.
O fundo que cobra taxas menores é melhor?
Não necessariamente. Um plano de previdência
cobra dois tipos de taxa: a de administração
e a de carregamento. As duas remuneram o trabalho dos administradores
de dinheiro e dos profissionais das seguradoras que montam
e vendem os produtos. A taxa de administração
pesa mais porque recai sobre todo o patrimônio acumulado,
que pode chegar a centenas de milhares de reais após
alguns anos. Ela varia de 1% a 3% ao ano. A de carregamento
é cobrada sobre o depósito mensal e vai de
1,5% a 5% (algumas seguradoras lançaram planos com
taxa de carregamento somente no resgate, que pode chegar
a zero conforme o tempo e o patrimônio). Mais importante
do que olhar apenas as taxas é analisar a rentabilidade
que o fundo oferece. As cotas divulgadas são líquidas
de taxa de administração. O raciocínio
é o mesmo para os demais fundos de investimento:
um gestor pode cobrar mais, mas oferecer melhor desempenho.
No longo prazo, uma pequena variação na rentabilidade
faz muita diferença. Se você não estiver
contente com seu administrador, troque-o.
7.
É aconselhável entrar no plano de previdência
da empresa?
Sim, sem hesitar, desde que a empresa também deposite
dinheiro em sua conta. Além de você aumentar
sua capacidade de poupança em 100%, às vezes
150%, de sua contribuição mensal, as taxas
cobradas de planos corporativos costumam ser menores que
as de planos individuais.
8.
É possível resgatar em caso de necessidade?
Sim, os planos individuais são flexíveis e
dão liquidez ao cliente a cada 60 dias. Em planos
corporativos é diferente, o resgate costuma ser permitido
somente na hora de sair da empresa, e mesmo assim há
regras para retirar (ou não) o dinheiro que a empresa
depositou em seu nome. Mas há um bom motivo para
você pensar bem antes de tirar seu dinheiro do plano.
No resgate você vai pagar imposto de renda, que pode
chegar a 27,5% sobre o total. Lembre-se de que os planos
de previdência são eficientes para quem deixa
o dinheiro rendendo por longo prazo. É aí
que o incentivo fiscal faz mais diferença. Para as
emergências, o ideal é fazer outra poupança,
num fundo de investimento. Em caso de necessidade, os planos
modernos, do tipo PGBL e VGBL, permitem também que
você interrompa o pagamento sem problemas.
9.
Dá para mudar de plano?
Nos planos individuais, sim. Nos planos corporativos, depende:
só é possível mudar se o plano oferecer
várias opções. Uma das maiores armas
do consumidor na previdência aberta é a portabilidade
dos recursos, ou seja, o direito de movimentar seu dinheiro
de uma seguradora para outra sem pagar imposto de renda.
Para exercê-lo, basta preencher um formulário
em três vias, assinar e entregar à seguradora
que vai receber o dinheiro. Algumas seguradoras exigirão
firma reconhecida e o pagamento de taxa de 0,38% sobre o
total. A transferência demora cerca de um mês,
embora a lei estabeleça quatro dias úteis.
Esse é mais um motivo para a comparação
constante do desempenho de seu fundo com o dos concorrentes.
Tudo é questão de encontrar quem saiba dar
valor a seu dinheiro tanto quanto você.
10.
Como fica a situação se a seguradora quebrar?
Seu dinheiro entra na fila dos créditos a receber,
depois das dívidas trabalhistas e tributárias.
Isso é difícil de ocorrer nesta hora em que
o sistema está em franco crescimento e há
grandes empresas nacionais e estrangeiras no mercado, que
atuam sob a fiscalização de órgãos
como a Superintendência de Seguros Privados (Susep).
O que pode acontecer com maior probabilidade é a
venda ou a fusão de empresas, como no caso da Cigna
neste ano. Seus clientes foram transferidos para outra seguradora
(a Unibanco AIG) e não houve notícias de maiores
transtornos para os poupadores.
11.
É vantagem optar pela renda vitalícia?
Só depois que os juros baixarem. A renda vitalícia
funciona assim: vo cê entrega uma grande quantia à
seguradora e ela se compromete a lhe pagar um salário
mensal pelo resto de sua vida. O problema é que,
como há muita incerteza em relação
a dólar, juros e inflação no longo
prazo, as seguradoras fazem cálculos muito conservadores.
Isso resulta num benefício muito baixo. Numa seguradora,
quem juntou 1 milhão de reais conseguiria hoje renda
entre 5 000 e 6 000 reais por mês (faça as
contas dividindo o montante acumulado por 190). Num fundo
de renda fixa bem conservador, você teria rendimento
de 1,5% ao mês. Seria o equivalente a 15 000 reais
por mês, sem mexer no principal. Uma alternativa é
acumular o dinheiro na seguradora e, quando chegar a hora
da aposentadoria, programar resgates periódicos.
Além de ser vantajoso financeiramente, em caso de
morte sua reserva vai diretamente para sua família,
sem necessidade de inventário nem de pagar imposto
de herança.
12.
Vale a pena comprar seguro por morte ou invalidez?
Sim, se você tiver família que dependa de sua
renda. O conceito de previdência inclui não
só o futuro distante mas também a possibilidade
de você precisar de auxílio bem mais cedo do
que imagina. Pesquise se vale a pena comprar o seguro juntamente
com o plano de previdência ou se é mais barato
fazer fora. Uma estimativa de valor utilizada por corretores
é garantir renda para sustentar a família
por 24 meses - exceto na invalidez, quando ela precisa durar
para sempre. |