O
Estado, a polícia e a sociedade civil organizada
Paulo
Tadeu Rodrigues Rosa
Fonte: http://www.direito.com.br/Doutrina.asp?O=1&T=1287
“As
associações de moradores e outras instituições
sociais devem participar ativamente das atividades desenvolvidas
pela Delegacia de Polícia e a Companhia de Polícia
do Bairro.”
Paulo Tadeu Rodrigues Rosa
A violência toma conta do Brasil e assusta as pessoas,
brasileiros e estrangeiros residentes no país, que
se sentem inseguras e com medo. A impunidade para o cidadão
infrator, que não respeita a lei previamente estabelecida,
é uma realidade que não pode e não
deve existir no Estado de Direito.
O Estado foi instituído para que a auto-tutela fosse
abandonada, a lei do talião deixada de lado, e os
conflitos resolvidos com base na lei, que é o instrumento
mais importante para efetiva aplicação da
Justiça, que deve pacificar a lide e possibilitar
em vida em sociedade, com a observância dos direitos
e garantias fundamentais.
As pessoas estão morrendo como se existisse no país
uma guerra ou uma guerrilha urbana. As famílias sentem
dor ao comparecerem no Instituto Médico Legal para
o reconhecimento de um ente familiar, que foi morto em um
assalto ou em um seqüestro. Nesses momentos, surge
a seguinte pergunta, até quando?
O art. 144 da CF estabelece que, “A segurança
pública, dever do Estado, direito e responsabilidade
de todos, é exercida para a preservação
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e
do patrimônio, através dos seguintes órgãos
policiais”. Assim, não se pode permitir que
a violência seja a regra na sociedade, e a tranqüilidade
e a paz social a exceção. A integridade é
um direito que deve ser efetivamente preservado. As pessoas
não querem promessas, elas precisam de uma proteção
que seja efetiva.
A força policial é uma instituição
das mais importantes do Estado. Segundo Javier Barcelona
Llop, “as forças policiais têm como missão
a preservação, a manutenção
e restauração da segurança e da ordem
pública” (Policía y Constitución,
Madrid:Tecnos, 1997, p. 195). O desenvolvimento da sociedade,
a geração de empregos, e a vinda de investimentos,
dependem da estabilidade política, social e econômica.
Se o país tem como característica a violência,
isso significa a perda de investimentos e o aumento das
desigualdades sociais.
Por força do texto constitucional, não é
apenas o Estado que é o responsável pela segurança
pública, mas todas as pessoas que integram a sociedade.
Nesse sentido, é chegado o momento de uma maior participação
dos cidadãos nas atividades de segurança pública,
que são essenciais para a vida em sociedade e a busca
da realização dos objetivos nacionais.
As associações de moradores e outras instituições
sociais devem participar ativamente das atividades desenvolvidas
pela Delegacia de Polícia e a Companhia de Polícia
do Bairro. Os serviços de denúncia, os chamados
disque denúncia, devem ser incentivados e as políticas
municipais de segurança precisam ser uma realidade,
inclusive com a criação de uma Secretária
de Segurança Municipal, com um chefe de Polícia
Municipal, caso seja necessário para a diminuição
dos índices de violência.
O sistema penitenciário passa por uma crise que tem
sido acompanhada de porto pela imprensa e noticiada pelos
principais jornais do país, que está representada
pelas diversas rebeliões e a falta de vagas para
os cidadãos infratores que foram presos pela Polícia.
Mas, essas questões não podem impedir o Estado
de responder por suas obrigações sob pena
de responsabilidade na forma do art. 37, § 6o, da CF.
As críticas ao sistema de segurança pública
devem estar voltadas para a melhoria da qualidade dos serviços
que são prestados à população,
art. 37, caput, da CF. A sociedade e os meios de comunicação
devem incentivar a união entre o Estado e o cidadão
no combate à violência na busca da diminuição
do número de homicídios, latrocínios,
roubos, furtos, extorsão mediante seqüestro,
que produzem um saldo negativo, o qual somente pode ser
comparado a epidemias e a guerras.
A polícia canadense tem incentivado a participação
dos cidadãos nas questões de segurança
pública por meio do serviço policial voluntário.
O Brasil também poderá incentivar os jovens
e mesmo os adultos a participarem das tarefas relacionadas
com a manutenção da ordem pública em
seus diversos aspectos, segurança pública,
tranqüilidade e salubridade pública.
A sociedade, o Estado e a Polícia, devem estar juntos
na busca da paz, no intuito de diminuir a violência
que tanto atormenta a maioria da população
brasileira, que não mais aceita ser refém
dos infratores em suas próprias residência,
o que não afasta a possibilidade de serem vítimas
de roubos, homicídios ou mesmo seqüestros em
seus lares, que segundo o art 5o., inciso XI, da CF, “é
o asilo inviolável do indivíduo, ninguém
nela podendo penetrar sem o consentimento do morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial”.
As transformações na comunidade devem ocorrer
por meio da educação e a modificação
dos paradigmas. A impunidade deve ser afastada da crença
do infrator, que deve respeitar a lei e ter a certeza que
será punido pelos crimes praticados. A polícia
deve caminhar ao lado da coletividade e esta deve acreditar
em seus policiais e colaborar diretamente com o Estado para
o combate a criminalidade.
Considerações finais
A integração entre a população
e a Polícia deve ser incentiva pelo Estado para a
melhoria dos serviços de segurança pública
em atendimento ao disposto no art. 37, caput, da CF. O dever
de preservar a ordem pública pertence exclusivamente
as forças policiais, mas o cidadão também
é responsável pela segurança pública
e deve participar ativamente das políticas a serem
desenvolvidas pelos órgãos públicos.
O serviço voluntário nas forças policiais
deve sair da teoria e tornar-se uma realidade, o que permitirá
que os policiais que desenvolvem serviços administrativos
fiquem a disposição para a realização
de atividades operacionais. O jovem que for dispensado do
tiro de guerra poderá colaborar com a sociedade em
trabalhos junto a administração policial,
as escolas públicas, participando de projetos contra
as drogas, educação no trânsito, entre
outros.
O cidadão que conhece a realidade do seu bairro e
participa de questões que lhe dizem respeito se sente
valorizado como pessoa, e percebe que tanto a Polícia
como o Estado estão próximos da realidade
social e participam ativamente para a sua melhoria. A sociedade
não pode e não deve ser excluída das
discussões dos temas que são importantes e
deve colaborar com as autoridades na busca do bem comum
e do interesse público.
A violência no Brasil somente será modificada
com uma melhor distribuição de renda, saúde,
educação, igualdade de oportunidades, que
exigem investimentos nos setores sociais, na geração
de empregos, e na busca dos investimentos estrangeiros.
Mas enquanto essas questões não são
resolvidas, os efeitos da violência devem ser combatidos.
O aumento das penalidades com o surgimento de leis mais
severas não significa necessariamente a diminuição
do número de crimes. O que não deve existir
é o senso de impunidade, que traz como conseqüências
o aumento de crimes que colocam em perigo, à vida,
à liberdade, à integridade, à propriedade
e à segurança.
Por fim, a segurança pública também
deve ser levada para as Escolas e Faculdades, como forma
de preparar os jovens e os educadores para participarem
das atividades do Estado. A sociedade, a Polícia
e o Estado, unidos serão capazes de encontrarem as
soluções necessárias para a construção
de um país onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade,
sejam uma realidade ao alcance de todos as pessoas que vivem
no território brasileiro de norte a sul. |